Fatboy Slim promete: nada de axé music no Farol da Barra

Descalço, com o rosto vermelho de quem tomou sol sem se preocupar com o protetor solar, o produtor e DJ inglês Fatboy Slim recebeu hoje à tarde a imprensa no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, para falar do seu "batismo" em trio elétrico. Ele será a atração da última noite do carnaval baiano no Bloco Skol, ladeado pelos brasileiros Marky e Patife. Os 4,9 mil abadás para participar da rave de Fatboy esgotaram-se ontem. Sobre a axé music, ele foi curto e grosso: "Fiz minha lição de casa e ouvi axé. Não é o estilo de música brasileira com o qual mais me identifico", disse. "É muito melhor deixar para os brasileiros fazerem (axé), já que eles sabem, do que me meter a fazer isso". O produtor (codinome de Norman Cook) disse que andou prestando atenção na música brasileira, nas duas últimas semanas, tempo em que está em turnê pelo Brasil, e tem consciência que aquilo que ele, Marky e Patife fazem não é a música dominante. Mas disse não temer eventuais vaias. Ele previu uma festa divertida, exceto, brincou, se alguém pegasse fogo ou se o carro emperrasse. Ele também comentou afirmações de Daniela Mercury, que disse que, se Fatboy acha que está trazendo novidade para o carnaval baiano, estava enganado. Daniela toca há três anos com o Trio Eletrônico, misturando os gêneros. "Os créditos são para Daniela, porque ela começou isso antes", afirmou Fatboy. O inglês estava de bom-humor. Brincou que viu o desfile dos trios elétricos em fotos, e sua mulher ficou preocupada em como ele iria achar um banheiro por ali. Também se divertiu quando o repórter do Estado lhe perguntou como é ser vizinho de Paul McCartney na Inglaterra. "É um pouco estranho. Porque ele é um herói real, é meu ídolo. É engraçado estar na cozinha ouvindo Abbey Road e saber que ele está ali do lado. Ele fica lindo de sunga". Deu um sorriso maroto quando lhe falaram da possibilidade de um dia tocar em São Paulo e até falou do lugar preferido, o Parque do Ibirapuera. Intimou seu tour manager em público para conseguir uma data. "Vou ligar para o prefeito", brincou o manager. O DJ Marky, que tocou com Fatboy no célebre concerto de Copacabana, para 360 mil pessoas, há dois anos, e voltou a encontrá-lo na Sérvia (além de ter feito um remix no disco novo do produtor), é só elogios para o papel de desbravador de Cook. "Acho legal o patamar a que ele chegou. É merecido, ele provou que um produtor, um DJ, podem ser pop stars". Marky é outro que estreava no circuito de rua.

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