Fator econômico explica o ritmo lento de Porto Alegre

Perda de indústrias e de estudantes faz a capital gaúcha deixar para Belém posto de 10.ª maior cidade

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

19 Agosto 2009 | 00h00

O ritmo de crescimento da população de Porto Alegre, mais lento do que o de diversas capitais, fez a capital gaúcha perder a condição de 10ª maior cidade do País para Belém. A mudança é explicada por vários fenômenos, todos vinculados à economia. Nos últimos 20 anos, a cidade viu suas indústrias migrarem para as vizinhas da região metropolitana e mudou seu perfil: tornou-se especializada em serviços, nas áreas de informática, saúde, administração e finanças, entre outras. Ao mesmo tempo, deixou de concentrar a maior parte da oferta de cursos universitários, hoje espalhados pelo interior. Nessa situação, a capital gaúcha já não atrai tantos operários e estudantes como nos anos 70 e 80, e chega a exportar trabalhadores de áreas como construção civil, jardinagem, vigilância e serviços gerais para as cidades do litoral, a maioria das quais com crescimento populacional superior a 20% entre 2000 e 2009. Além disso, em média, os moradores de Porto Alegre optaram por ter menos filhos - tanto em razão do alto grau de informação que têm quanto pela percepção de limitações financeiras. Segundo o supervisor de informações do IBGE no Rio Grande do Sul, Ademir Barbosa Koucher, a taxa de fecundidade da cidade é de cerca de 1,5 filho por mulher em idade fértil, uma das menores do País. O número de habitantes de Porto Alegre subiu de 1,26 milhão em 1991 para 1,36 milhão em 2000, 1,42 milhão em 2007 e 1,43 milhão em 2009. Se comparada a sequência de levantamentos do IBGE, a taxa de crescimento na década é de 5,55%, um ritmo inferior a 1% ao ano. A trajetória de casais como o gerente comercial Marcondes Pergher Britto, de 44 anos, e a supervisora administrativa Sílvia de Cássia Bandeira, de 42, confirma as análises. Na década de 1980, Marcondes migrou com a família de Bento Gonçalves para Porto Alegre, contribuindo para o aumento da população da capital gaúcha. Hoje, depois de 24 anos de casamento e de conquistar uma situação financeira estável, o casal começa a pensar no primeiro filho. "Talvez seja um pouco tarde, mas optamos por priorizar os estudos e a carreira profissional", explica Marcondes. Eles confirmam que diversos amigos não têm filhos ou têm, no máximo, dois.

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