Fator Soninha complica filiação de aliados de Marina ao PPS

Ex-vereadora não quer abrir mão de candidatura à Prefeitura e Roberto Young diz que só entra no partido se for cabeça de chapa

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

As conversas do grupo político da ex-senadora Marina Silva com o PPS estão avançadas, mas esbarram em um obstáculo. Ricardo Young, ex-verde que concorreu ao Senado pelo PV no ano passado e recebeu cerca de 4 milhões de votos, diz que só se filiará ao PPS se tiver a garantia de que vai ser o candidato do partido à Prefeitura de São Paulo no ano que vem. O PPS, contudo, já tem uma pré-candidata, a ex-vereadora Soninha Francine, que não está disposta a abrir mão da cabeça de chapa.

"Vou falar na primeira pessoa do singular: eu não gostaria (que os "marineiros" indicassem a cabeça de chapa)", disse Soninha. "Não gostaria porque sou pré-candidata, porque o que eu quero em carreira político-eleitoral é ser prefeita."

Young, por sua vez, é incisivo. "Não faz sentido nos filiarmos ao PPS se não formos a cabeça de chapa. Não é um projeto personalista - é para dar visibilidade ao movimento (Movimento pela Nova Política, liderado por Marina)", alega. Para que possa disputar as eleições municipais do ano que vem, o ex-verde precisa filiar-se a um novo partido até 7 de outubro. "O PPS tem demonstrado disposição de conversar. O problema é que o prazo deles é março, enquanto o meu é outubro", disse Young, que garante não ter interesse em ocupar a vice em uma chapa liderada por Soninha. "Não me interessa voltar à vida partidária se não for ser cabeça de chapa."

Desde que anunciaram sua desfiliação do PV, em julho, os "marineiros" procuram abrigo em outro partido e o PPS tem surgido como a alternativa mais provável. A bancada do partido é aliada ao PV na Câmara dos Deputados.

Soninha admite que "o PPS está disposto a negociar" a cabeça de chapa e, mesmo contrariada, aceitará se sua candidatura for descartada. "Sou revoltada, sou rebelde, mas já fui voto vencido antes e tudo bem. Se o meu partido chegar à conclusão de que vai ser muito bom outro candidato que não eu, sou capaz de aceitar", afirmou. Soninha dá como certa a candidatura própria do PPS: "Alguma coisa teria de dar muito errado para mudar isso".

Ao falar de Marina, contudo, Soninha se empolga. "Sou uma entusiasta (da filiação da ex-senadora ao PPS). Quando a gente era do PT, tínhamos uma identificação. A Marina às vezes se pegava dentro do partido ou dentro do governo por causa de posições que eu também defendia. Quando saímos do PT, voltamos a ter essa identificação."

Mas, quando o assunto é uma eventual candidatura presidencial de Marina, Soninha desconversa: "Sou serrista. Se José Serra for candidato, vou apoiá-lo."

Rebeldia comportada

SONINHA FRANCINE

EX-VEREADORA

"Sou revoltada, sou rebelde, mas já fui voto vencido antes e tudo bem. Se o meu partido chegar à conclusão de que vai ser muito bom outro candidato que não eu, sou capaz de aceitar"

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