Wilton Junior/AE
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Favela da Rocinha está dominada e PM pede que população denuncie traficantes escondidos

Em entrevista coletiva, o comandante do Estado Maior da Polícia Militar, Coronel Alberto Pinheiro Neto, disse que teve início a fase de busca e de revistas a suspeitos

Alfredo Junqueira e Alexandre Rodrigues, da sucursal do Rio de Janeiro,

13 Novembro 2011 | 06h32

Atualizado às 8h - Os veículos blindados da Marinha deixaram a Favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro por volta de 7h30 deste domingo, 13, após a tomada da comunidade, às 6h20, segundo o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio (Bope). O comando da Operação 'Choque de Paz', informou que a ação foi um sucesso e nenhum tiro foi disparado.

Em entrevista coletiva, o comandante do Estado Maior da Polícia Militar, Coronel Alberto Pinheiro Neto, disse que teve início a fase de busca e de revistas a suspeitos. Ele pediu ajuda da população, denunciando criminosos que ainda permanecem na comunidade ou informando a localização de depósitos de armas e drogas, por meio do disque denúncia: (21) 2253-1177 ou também pelo 190.

'Nossas equipes permenecerão na comunidade por tempo indeterminado. É uma janela de oportunidade. Parte do nosso sucesso depende da população', disse Pinheiro Neto. Ele e o comandante da Polícia Militar, Coronel Erir Ribeiro, passaram a noite na sede do Batalhão da PM no Leblon, na zona sul, onde está montado o centro de operações, que também é responsável pela divulgação de informações para a imprensa.

O oficial descreveu a preparação da operação, iniciada na tarde de sábado, 12, com o deslocamento dos blindados da Marinha para o batalhão da PM no Leblon.

Naquela unidade começou a funcionar o centro de controle e operações às 16h de sábado, 12. Em uma sala com computadores e monitores ficaram representantes das polícias militar, civil, federal, rodoviária, além da Marinha e da Prefeitura da Rio.

Segundo Pinheiro Neto, o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, participou, às 19h30 de sábado, de uma grande reunião no Batalhão de Choque, no centro, onde os agentes escalados para a ação receberam atribuições específicas. Às 23h, o secretário se encontrou a cúpula da Polícia Civil na Lagoa, na zona sul e, à meia-noite, Beltrame teve uma reunião semelhante na sede do Bope, em Laranjeiras, na zona sul.

A delegada Marta Rocha disse que a polícia agora cumprirá mandados de prisão na favela, mas não quis revelar quantos. O delegado federal Vitor Poubel destacou que alguns integrantes da quadrilha do traficante Antonio Bonfim Lopes, o Nem, conseguiram escapar da favela, mas muitos ainda permanecem na comunidade.

Para o superintendente da Polícia Federal no Rio, Valmir Oliveira, boa parte da tranquilidade com que a favela foi ocupada na manhã deste domingo, 13, se deve à prisão de Nem, chefe do tráfico na Rocinha, e alguns de seus comparsas, na semana passada.

'Se isso não tivesse ocorrido antes, talvez a situação hoje fosse diferente', comemorou Oliveira.

Pelo menos 150 homens da Polícia Rodoviária Federal realizam bloqueios na região metropolitana, para evitar fugas, inclusive na Ponte Rio-Niterói.

Participaram da operação 'Choque de Paz' três mil homens, apoiados por quatro helicóptoros da Polícia Militar, três da Polícia Civil, 18 veículos blindados da Marinha e mais sete da Polícia Militar (caveirões), além de mil policiais militares nas favelas, 1.300 nas ruas do Rio, 194 fuzileiros navais, 186 policiais civis, 160 policiais federais e 46 policiais rodoviários.

Os agentes começaram a avançar por ruas e vielas das favelas da Rocinha e do Vidigal, na zona sul da cidade, as duas últimas grandes comunidades da zona sul carioca que ainda estavam sob domínio do crime organizado, às 4h10 deste domingo, 13.

Os policiais informaram que os traficantes espalharam óleo combustível nas ruas da Rocinha, em uma tentativa de atrapalhar o avanço dos blindados.

Trânsito liberado - A Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro determinou por volta das 7h40 da manhã deste domingo, 13, a reabertura de todos os acessos às favelas da Rocinha e do Vidigal, na zona sul da cidade.

Desde às 2h30 da madrugada deste domingo, pelo menos oito trechos de vias importantes que passam pelos bairros da Gávea, São Conrado, Barra da Tijuca e Leblon foram fechados para a realização da operação. Durante esse período, muitos moradores da Rochinha se viram obrigados a atravessar dois túneis para chegar às suas residências, numa distancia superior a 5 km.

A movimentação na autoestrada Lagoa-Barra, principal via que liga a Zona Sul à Zona Oeste da cidade e que passa em frente à Rocinha, já esta liberada, mas o tráfego de veículos ainda é reduzido.

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