Favela-fantasma surge ao lado da Ponte Estaiada

Cerca de 300 barracos foram construídos perto do Cingapura do Real Parque nos últimos três meses

Sérgio Duran, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

Ao lado da Ponte Estaiada em construção na Marginal do Pinheiros, zona sul de São Paulo, foi construída uma favela-fantasma, com cerca de 300 barracos de madeira que ainda parecem desabitados. A ponte que futuramente deve virar cartão-postal de São Paulo começou a ganhar nova vizinhança há cerca de três meses, segundo moradores do Cingapura Real Parque, que fica ao lado. A reportagem andou dentro da nova aglomeração de barracos e encontrou apenas as casas improvisadas de madeirite, restos de construção e telhas de amianto. Nem fios nem canos de água havia.A favela fica ao lado da Marginal, na pista sentido Santo Amaro. Começa na escadaria que dá acesso aos prédios do Cingapura. Naquela parte, há um único boteco, que usa o muro da escada como balcão."É o motel da favela. Se você arrumar uma nega, pode vir aqui", brincou o único morador encontrado no local pela reportagem - mas que preferiu não se identificar. Ele disse que passava diariamente na frente do terreno, e, quando viu construírem barracos no local, decidiu mudar para lá. Na verdade, ele se parece mais com um zelador dos barracos vazios do que propriamente um morador.Questionado sobre a razão de os barracos estarem vazios e não terem infra-estrutura aparente, ele respondeu que a maioria dos proprietários estava trabalhando e não havia tido tempo de providenciar as ligações de energia e água. "Eu não acho certo fazer isso de construir o barraco para ganhar o dinheiro", disse o auxiliar de limpeza Edilson Nascimento, de 31 anos, que mora na Favela do Real Parque e passa pela escadaria todos os dias. A suspeita é de que se monte o barraco falso para ganhar dinheiro público quando da desapropriação.Segundo Nascimento, existem muitas construções fantasmas na nova favela, mas também tem quem a tenha ocupado para morar. "Aqui é assim: se você vai procurar emprego nos prédios e diz que tem de pegar duas conduções, tá fora. Agora, se você fala que mora no Real, que é pertinho, pronto, o emprego é seu. Eu trabalho aqui perto e não tenho onde morar. Só aqui." A casa de Nascimento, por exemplo, foi feita de alvenaria, com material doado pelo patrão da mulher.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.