Marcos de Paula/ Estadão
Marcos de Paula/ Estadão

Favelas do Caju e Barreira do Vasco têm ocupação tranquila

Não houve resistência de traficantes e agora PMs vasculham as comunidades do Rio à procura de foragidos, armas e drogas

Marcelo Gomes, de O Estado de S. Paulo

03 Março 2013 | 07h29

Começou por volta das 5h deste domingo a ocupação, pelas forças de segurança, de 13 favelas do Complexo do Caju, na zona portuária do Rio de Janeiro, e da comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão, na zona norte. Cerca de 1.400 homens e 200 fuzileiros navais, divididos em 17 blindados, participam da ação. Helicópteros dão apoio à incursão.

 

Todos os acessos às favelas foram cercados pela polícia, enquanto os blindados da Marinha adentraram nas vielas. Alguns acessos estavam com barricadas de concreto, colocadas por traficantes para impedir a entrada dos veículos da polícia. Os blindados da Marinha do tipo Lagarta Anfíbio (CLAnf), que se locomovem por esteiras, não tiveram dificuldade para ultrapassar as barreiras. Não houve resistência dos traficantes que há décadas dominam as comunidades. Até as 6h, não haviam sido registrados disparos de arma de fogo.

 

Os PMs estão vasculhando as comunidades à procura de bandidos foragidos da Justiça, além de armas e drogas. Há policiais em pontos estratégicos, como numa via férrea suspensa que corta as comunidades, bem como na Linha Vermelha, que liga o Aeroporto Internacional Tom Jobim ao centro e à zona sul da cidade. A via expressa, que margeia as favelas, foi fechada ao tráfego às 4h, para evitar que motoristas fossem atingidos por balas perdidas caso houvesse confronto com traficantes.

 

O major Ivan Blaz, porta-voz do Batalhão de Operações Especiais da PM, disse que as 13 favelas do Caju ficarão ocupadas pelo Bope e pelo Batalhão de Choque até a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), ainda sem data estipulada. Já a comunidade Barreira do Vasco ficará ocupada pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), tropa de elite da Polícia Civil.

 

O clima é de tranquilidade na região. Moradores circulam normalmente pelas ruas, embora evitem falar com a imprensa por medo de represálias do tráfico. O comércio também está funcionando.

 

Desde o início da madrugada, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, acompanha o desenrolar da ocupação. Antes de as tropas saírem do 1º Batalhão de Guarda do Exército, em São Cristóvão, em direção às comunidades, Beltrame esteve nas sedes do Bope e do Choque para falar com os policiais sobre a importância da operação. Depois, seguiu para o Quartel-General da PM, no centro, para coordenar a invasão.

 

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