''Favores fazemos, mas nunca pedimos um real''

Presidente da Câmara diz não ter feito lobby para boate e que falou para genro ?pular fora?

Rodrigo Pereira e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2008 | 00h00

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), admite ter se encontrado em seu gabinete com acusados de integrar a organização acusada de explorar a prostituição e traficar mulheres para a Europa. Mas nega ter feito lobby em troca de doação de R$ 60 mil para sua campanha a fim de manter a boate da quadrilha, a W.E., aberta."Quando eu vi o que era, eu falei para o Fabiano: ?Pula fora, que isso é confusão?", disse Carlinhos ontem. Ele se referiu a seu genro, Fabiano Alonso, apontado na investigação da PF como elo entre o vereador e o "administrador de problemas" da quadrilha, o coronel da PM Wilson de Barros Consani Junior. Consani é flagrado pela PF falando em 1º de abril com Carlinhos, que o confunde com seu irmão, o também coronel da PM Carlos Roberto Barros Consani, ex-chefe da assistência militar da Câmara. Wilson desfaz o engano e pede ajuda - Carlinhos fala que o atende pessoalmente, assim que encerrar o plenário. "Atendi, como atendo a todo mundo que me procura. Pedi: ?Me dêem o caso, se tiver legalidade, eu atendo vocês", disse Carlinhos. "Nisso aí, eu estou de graça."As escutam mostram o homem de confiança de Carlinhos prometendo ajuda na Prefeitura para evitar o fechamento da boate. "Não sabia que era uma casa de prostituição", disse Alonso. "No mesmo dia que descobri, falei que não tinha como ajudar, que era uma casa com problema de prostituição e que era pra procurar outra pessoa, porque a bucha era grande." Alonso diz que descobriu tratar-se de prostíbulo ao mostrar o endereço da W.E. a um amigo, freqüentador da casa. Mas, em 9 de abril, Consani diz a Alonso que mandou fazer "mesa cativa" no bar do prostíbulo "e entalhar o nome Fabiano" - forma de agradecer a suposta ajuda de Carlinhos. "Só não põe o sobrenome", adverte Alonso. "Não, cê tá maluco, rapaz? Ainda escrevi o apelido Fabi", diz o coronel. Informado do diálogo, Alonso reafirmou inocência.À noite, Carlinhos ligou para a reportagem, para dar mais esclarecimentos. "Não vá misturar as coisas. Eu conheço o Consani, não dá para negar. E favores nós fazemos, mas nunca pedimos um real. Não teve dinheiro. Se o Fabiano tivesse pedido dinheiro, a polícia teria prendido", afirmou. "Checa lá na Prefeitura se eu tive alguma audiência. O Consani falou comigo uma vez só, e foi de pé." Carlinhos alegou que nas idas freqüentes do coronel à Câmara ele procurava outro vereador. "Ele sempre falava era com o Cláudio (Prado), que é do PDT."O criminalista Luis Fernando Pacheco, que defende o empresário Manuel Fernandes de Bastos Filho, disse que seu cliente é inocente e negou que ele fosse dono da W.E.. O criminalista Fábio Cavalheiro, que defende Consani, afirmou que não tem conhecimento dessa parte da investigação da PF e, por isso, não tinha como se manifestar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.