Faxina começa na Conab e derruba procurador-geral

Em acordo com o PMDB, Planalto demite Rômulo Gonçalves Jr. e coloca em seu lugar Rui Piscitelli para comandar órgão

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2011 | 00h00

Começou a faxina na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O atual procurador-geral da companhia, Rômulo Gonçalves Jr., será afastado. Em seu lugar assumirá Rui Magalhães Piscitelli, procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU).

A escolha de Piscitelli foi acertada entre a presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e o ministro da AGU, Luís Inácio Adams. Piscitelli esteve ontem à tarde no Ministério da Agricultura, onde se reuniu com Wagner Rossi para acertar os últimos detalhes da nomeação. O cargo de procurador é considerado um dos mais estratégicos dentro da Conab porque a empresa tem contenciosos de mais de décadas - de um período em que era, ainda, a Companhia Brasileira de Alimentação (Cobal) e distribuía alimentos pelo interior do País em grande caminhões. Dessa época a Conab herdou ações trabalhistas e indenizatórias.

Caberá ainda ao novo procurador-geral da Conab comandar o processo de tentativa de anular o pagamento irregular de R$ 8 milhões a uma empresa de silos de Goiás. A autorização da transferência de um dinheiro destinado exclusivamente à compra de alimentos, há três semanas, foi dada pelo então diretor financeiro da estatal, Oscar Jucá Neto - que foi demitido logo depois pelo ministro Wagner Rossi.

Em represália pela demissão determinada pelo ministro da Agricultura, Jucá Neto, que é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acusou Rossi de envolvimento em casos de corrupção dentro do ministério. A acusação desencadeou uma crise no PMDB, que levou o ministro a fazer dois depoimentos no Congresso - um na semana passada na Câmara, e outro no Senado, ontem. Ele negou as acusações, fez outras a Jucá Neto e afirmou que este apenas tentou politizar o episódio e vingar-se por ter perdido o cargo.

Mesmo alcance. De acordo com informações passadas por auxiliares da presidente Dilma Rousseff, ela ordenou que a faxina na Conab tenha o mesmo alcance da que foi feita no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O que significa que, do presidente da estatal aos assessores aparentados de políticos, todos serão afastados.

Um pouco diferente do Dnit, que tinha sido loteado entre o PR e o PT, na Conab os principais cargos da diretoria são ocupados por PMDB, PTB e PT. O atual presidente da empresa, Evangevaldo Moreira dos Santos, também deverá ser afastado, segundo auxiliares da presidente. Ele está no cargo há apenas quatro meses. É apadrinhado do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO).

A Conab tem orçamento de R$ 2,8 bilhões para investimentos. É uma empresa presente em todo o Brasil. Por isso, o PTB contentou-se em dirigi-la, abrindo mão de assumir um ministério.

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