'Faxina' melhora avaliação de Dilma no Sul e Sudeste

Aprovação do governo cresceu nessas regiões, mas diminuiu no Norte e Nordeste; em todo o País, índice subiu de 48% para 51%

DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2011 | 03h05

Pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem indica uma virada geográfica nas taxas de popularidade do governo Dilma Rousseff: pela primeira vez, o Sul é a região que mais aprova a gestão da presidente, considerada ótima ou boa por 57%. Em todo o Brasil, o índice ficou em 51%, contra 48% da pesquisa realizada há dois meses.

Entre julho e setembro, período marcado pela "faxina" em que Dilma demitiu diversos acusados de corrupção, o Sul passou da última para a primeira posição no ranking de satisfação com a administração - a taxa de ótimo/bom subiu 12 pontos porcentuais.

A aprovação também aumentou no Sudeste, de 47% para 54%, mas oscilou para baixo no Nordeste (de 52% para 50%) e caiu no Norte/Centro-Oeste (de 46% para 43%). O governo tem agora seus piores índices nas regiões onde a presidente venceu a eleição de 2010 com maior folga.

A aprovação ao desempenho pessoal de Dilma também subiu no País como um todo (de 67% para 71%) e, principalmente, no Sul (de 61% para 75%).

Não houve variação significativa, entre as duas últimas pesquisas encomendadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos resultados estratificados por renda e educação dos entrevistados. A presidente continua mais bem avaliada pelos mais pobres e menos escolarizados.

Associação. Para o gerente de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, os resultados do Ibope estão diretamente relacionados à chamada "faxina", que marcou o noticiário nos últimos meses. "Dilma conseguiu capitanear para o governo as ações contra a corrupção", afirmou, citando as demissões de ministros e funcionários públicos envolvidos em denúncias de irregularidades e desvios de recursos na Esplanada dos Ministérios.

O levantamento mostrou que o assunto "corrupção" é o que está mais em voga, na opinião dos entrevistados. Quando indagados sobre quais as notícias de que mais se lembravam nas últimas semanas, 19% citaram as denúncias de irregularidades em ministérios e 13% mencionaram, espontaneamente, a "faxina" - termo do qual a presidente diz não gostar, por dar a ideia de uma ação pontual e não duradoura, mas consagrado no imaginário popular.

Fonseca lembrou que, na rodada anterior da pesquisa, os entrevistados citaram as denúncias de corrupção, mas não as associaram à tomada de providências por parte do governo.

A parcela da população que considera o noticiário recente mais favorável ao governo subiu de 23% para 27% entre julho e setembro.

Comparação. Para 55% dos entrevistados pelo Ibope, a gestão Dilma é igual à de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Para 15%, o atual governo é melhor, e, para 26%, pior. Os mais saudosos em relação ao ex-presidente são os nordestinos - na região, 30% consideram que a gestão dele era melhor.

Dilma, porém, se sai melhor na comparação com Lula quando são levados em conta os índices de ótimo/bom dos dois governos após nove meses de gestão: 51% de setembro de 2011 contra 43% em setembro de 2003. No mesmo período, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) obteve taxa ainda menor: 40%.

Temas. Das nove áreas de atuação de governo que o Ibope avaliou, três tiveram índice de aprovação maior que o de desaprovação: combate à fome e à pobreza (59% a 38%), combate ao desemprego (53% a 42%) e meio ambiente (54% a 38%).

Nada menos que dois terços dos entrevistados reprovaram a gestão da saúde, e apenas 30% estão satisfeitos com o desempenho do governo no setor.

Um resultado semelhante foi registrado em relação ao tema impostos: desaprovação de 66% e aprovação de 27%.

A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 16 e 20 de setembro. Foram ouvidos 2.002 pessoas com idade superior a 16 anos, em 141 municípios de todo o País. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. / COLABOROU ANDREA JUBÉ VIANNA

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