''Fazemos parceria da contrapartida para pagar o Ministério do Esporte''

Karina Rodrigues, DIRIGENTE DA ONG BOLA PRA FRENTE E FILIADA AO PC DO B

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em entrevista ao Estado, a vereadora e ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues (PC do B) admitiu a cobrança das prefeituras para oferecer o Programa Segundo Tempo. Argumentou que precisa dos recursos para pagar a contrapartida de R$ 520 mil exigida pelo Ministério do Esporte.

Ela afirma que, se o prefeito não pagar, não tem como receber o projeto intermediado por sua ONG. A prefeitura de Holambra (SP), por exemplo, substituiu o contrato da administração municipal de Cordeirópolis, que desistiu de pagar pela parceria. Karina diz que a Bola Pra Frente (que ela agora chama de Pra Frente Brasil) oferece serviços que o ministério não garante, como psicóloga e nutricionista.

O contrato com a prefeitura de Cordeirópolis era para implantar o Segundo Tempo, certo?

Sim, era o Segundo Tempo.

A ONG Bola Pra Frente recebe R$ 13 milhões do governo federal. Por que você cobrou da prefeitura se já dispõe s os recursos públicos?

Porque fiz uma parceria para suprir a contrapartida que o ministério cobra da gente.

Em outras prefeituras o sistema é parecido?

Em todas as prefeituras onde a ONG desenvolve o Segundo Tempo fazemos uma parceira da contrapartida para pagar o Ministério do Esporte.

E se o prefeito não tiver como pagar para vocês?

Eu não tenho como implantar o projeto na cidade dele. O Segundo Tempo não paga FGTS do funcionário, seguro de vida, contadores. Hoje temos uma guia de INSS de R$ 148 mil por mês. O ministério paga só o salário do professor.

O contrato da ONG com o ministério não fala em parcerias com prefeituras, mas apenas da responsabilidade de vocês em implantar o Segundo Tempo. Por que a direção da ONG, como você, por exemplo, não dá como contrapartida a mão de obra, abrindo mão dos salários?

Não tenho porque fazer isso. É um problema nosso e se você achar que tem algo errado você denuncia ao TCU (Tribunal de Contas da União). Você não pode me obrigar a doar meu salário pra ninguém.

O prefeito que não quer pagar, mas quer ter o Segundo Tempo, como deve fazer para conseguir o programa?

Vai ao Ministério do Esporte e pede a parceria.

Mas se o ministério não dá resposta...

Pergunte ao ministro, não sou o ministro do Esporte. Eu posso responder pela minha entidade.

É desigual a briga de vocês com os prefeitos, não acha?

Aí você liga para o ministro Orlando e ele responde.

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