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Fazenda confiscada de Jarvis Pavão vira quartel de força-tarefa no Paraguai

A Estância Quatro Filhos estava sob encargo do Ministério da Fazenda e havia tratativas para torná-la em um centro de tratamento para dependentes químicos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2018 | 16h34

SOROCABA – Por ordem do presidente Mario Abdo Benítez, uma fazenda confiscada do traficante brasileiro Jarvis Chimenes Pavão, extraditado para o Brasil em dezembro do ano passado, foi ocupada neste sábado, 24, pela Força Tarefa Conjunta (FTC) de combate ao crime organizado do Paraguai.

Desde a extradição do brasileiro, a Estância Quatro Filhos estava sob o encargo do Ministério da Fazenda e havia tratativas para torná-la um centro de tratamento para dependentes químicos. Depois da execução de um madeireiro brasileiro pelo grupo terrorista Exército do Povo Paraguaio (EPP), no último dia 19, o presidente decidiu intensificar o combate a organizações que agem na região, no norte do país, fronteira com o Brasil.

Em agosto de 2007, foram apreendidos 117 quilos de cocaína na propriedade, localizada na cidade de Yby Yaú, departamento de Concepción. Pavão foi preso dois anos depois. Ele cumpriu oito anos de prisão no Paraguai e, após a extradição, em dezembro de 2017, cumpre pena na penitenciária federal de Mossoró (RN). O narcotraficante nasceu em Ponta Porã, na fronteira, mas viveu décadas no país vizinho e tem filhos paraguaios. Ele passou a fornecer drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e chegou a ser comparado ao lendário traficante colombiano Pablo Escobar. No período em que esteve preso, subornou policiais e reformou o presídio, passando a desfrutar de luxo e mordomias na prisão.

No Brasil, o traficante está condenado a 25 anos de prisão. Sua fazenda é avaliada em R$ 6 milhões de dólares. A propriedade estava registrada em nome da mãe de Jarvis e de uma empresa de fachada. A Quatro Filhos foi a primeira propriedade de narcotraficantes confiscada pelo governo paraguaio. Conforme o jornal paraguaio ABC Color, ao ocuparem a propriedade, os capangas de Jarvis fugiram do local, deixando apenas um caseiro. Foram apreendidos carregadores e munições de fuzis, mas as armas não foram encontradas. Foi feito um inventário de bovinos e equinos existentes nas pastagens.

O local será usado como base de operações do grupo de militares encarregados de combater o EPP. A transferência da fazenda para o Estado paraguaio vinha sendo embargada pela advogada de Jarvis, Laura Casuso, executada a tiros, no início do mês, em Pedro Juan Caballero. Ela defendia também o narcotraficante brasileiro Marcelo 'Piloto', expulso do Paraguai.

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