Fazendeiro acusado de mandar matar advogado no Pará é preso

O fazendeiro Manoel Cardoso Neto, o Nelito, acusado de ser o mandante do assassinato, em 1982, do advogado paraense Gabriel Pimenta, foi preso no domingo pela Polícia Federal na cidade de Pitangui (MG), onde vivia escondido havia seis anos. Pimenta defendia trabalhadores sem-terra no sul do Pará.Nelito foi transportado de avião para Belém, onde chegou na manhã desta segunda-feira. Seu julgamento, adiado várias vezes nos últimos 20 anos por sua fuga do Pará, deverá ser feito antes de junho.Neto é irmão do ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso. Ele era considerado foragido da Justiça do Pará. No dia 23 de maio de 2000 deveria sentar no banco dos réus, mas não compareceu ao julgamento em Marabá (PA). Segundo informações da PF, a operação para a captura de Neto durou dois meses e envolveu agentes da Polícia Federal do Pará, Bahia e Minas Gerais.Pelas costasPimenta foi assassinado pelas costas, com três tiros de revólver, disparados a curta distância. O autor dos disparos foi o pistoleiro de aluguel José Crescêncio de Oliveira, contratado pelo chefe de pistolagem José Pereira da Nóbrega, o Marinheiro, também morto num crime de encomenda. Nóbrega era apontado pela polícia como sócio de Neto.O advogado foi morto, segundo se comenta no Pará, porque teria sido o primeiro a ganhar na Justiça estadual uma questão contra fazendeiros, derrubando uma liminar de reintegração de posse contra 158 famílias de agricultores na vila conhecida por Pau Seco, em Marabá. Neto se dizia dono das terras. Foi a própria Polícia Militar, que antes fizera o despejo dos agricultores, quem os reconduziu de volta à terra. Neto, insatisfeito com a decisão da Justiça, teria comentado em Marabá que o advogado estaria morto antes que uma nova audiência sobre o caso fosse realizada no fórum da cidade.

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