Fazendeiro é condenado por morte de vereador no Alagoas

O fazendeiro José Renato de Oliveira e Silva, de 71 anos, pai do ex-prefeito de Coqueiro Seco, Tadeu Fragoso, mais conhecido como Renato, foi condenado a 19 anos de prisão em regime fechado, no presídio Baldomero Cavalcanti, em Maceió. Ele foi considerado culpado da acusação de ter sido o mandante do assassinato do vereador Renildo José dos Santos. O julgamento começou na quarta-feira pela manhã e terminou na madrugada desta quinta-feira, treze anos após o crime, que teve repercussão internacional pelos requintes de crueldade como foi praticado. Homossexual assumido e líder político na cidade de Coqueiro Seco, na grande Maceió, Renildo foi seqüestrado, torturado, assassinado a tiros. Além disso, foi esquartejado, teve a cabeça decepada e o corpo queimado No dia 10 de março de 1993, o vereador tinha dito que se alguma coisa de ruim lhe acontecesse o responsável seria o fazendeiro José Renato, pai do então prefeito da cidade e seu inimigo declarado. "A gota d´água", como alegou o assistente de acusação, advogado Everaldo Patriota, foi o fato do vereador ter revelado, numa entrevista a uma emissora de rádio, poucos dias antes de morrer, que o então prefeito Renato Fragoso, filho do fazendeiro, era "homossexual enrustido". Para Patriota, "essa revelação foi uma espécie de sentença de morte de Renildo, porque o fazendeiro já tinha tentando matá-lo antes das eleições de 1988". Segundo o advogado de acusação, antes de ser eleito, o vereador já tinha levado uma surra e escapado de um atentado à bala, a mando do fazendeiro, mas esses crimes nunca foram investigados. Durante o julgamento, José Renato negou a autoria do crime e tentou denegrir a imagem do vereador, acusando-o de "maconheiro, ladrão e arruaceiro". No entanto, essas acusações foram rebatidas pelo assistente de acusação e pela promotora Marta Bueno, por meio de documentos e testemunhas que defenderam a vítima. Os advogados Welton Roberto e Raimundo Palmeira, que atuaram na defesa do fazendeiro, disseram que vão recorrer da sentença. O juiz José Braga Neto, que presidiu o julgamento, disse que o réu saiu solto do julgamento porque há um habeas-corpos a favor dele no Tribunal de Justiça, que dá direito a responder por enquanto em liberdade. "Enquanto o mérito desse habeas corpus não foi julgado, ele continuará em liberdade", afirmou o juiz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.