Fazendeiro é preso por explorar trabalho escravo em Itapeva

O produtor rural Aristeu Ferreira de Oliveira, de 42 anos, foi preso em flagrante ontem à noite em Itapeva, no sudoeste do Estado, por manter empregados em regime de trabalho escravo. Numa blitz realizada em sua propriedade, fiscais do Ministério do Trabalho encontraram dezenas de empregados trabalhando em condições sub-humanas, sem registro e sem pagamento regular de salários. Havia ainda menores aplicando agrotóxicos em lavouras de tomate, expostos ao risco de contaminação. O pagamento era feito apenas no final da empreitada com vales que deveriam ser trocados por mercadorias em um único estabelecimento comercial. A blitz, realizada em propriedades rurais de vários municípios, levou os ficais a uma das fazendas arrendadas por Oliveira, no bairro dos Quatis, zona rural de Ribeirão Branco. Os fiscais chegaram na companhia do promotor Ricardo Navarro, do Fórum de Itapeva, e de procuradores do Ministério Público Federal. Eles constataram que havia adolescentes de 16 anos fazendo trabalhos de adultos, como a aplicação de inseticidas, sem equipamentos de segurança. O depósito desses materiais também não tinha proteção. O produtor não estava na propriedade. Ele recebeu voz de prisão em Itapeva e foi levado à delegacia. Segundo o delegado Marcelo Bruder Santini, o produtor foi autuado por cinco crimes, entre eles o de reduzir alguém a condição análoga à de escravo. O crime, para o qual está prevista pena de reclusão de 2 a 8 anos, é inafiançável. O acusado foi levado para a cadeia. O delegado contou que ele havia sido advertido anteriormente por prática de irregularidades trabalhistas. Hoje, técnicos do Ministério do Trabalho realizam uma audiência pública na Câmara de Itapeva para conscientizar os produtores rurais da região sobre os direitos dos trabalhadores e a prevenção do trabalho infantil.

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