Fazendeiro vai a júri acusado de matar vereador em Alagoas

O fazendeiro José Renato de Oliveira e Silva, pai do ex-prefeito de Coqueiro Seco, em Alagoas, Renato Fragoso, está sendo julgado nesta quarta-feira, 26, acusado de ser o mandante do assassinato do vereador Renildo José dos Santos. O vereador, homossexual assumido, foi assassinado em 10 de março de 1993. O crime revoltou a população de Alagoas e teve repercussão internacional, chamando a atenção de ativistas dos direitos humanos e entidades em defesa da livre orientação sexual do mundo inteiro. Partes do corpo do vereador foram espalhadas em duas cidades do interior de Pernambuco, Xexéu e Água Preta, na divisa com Alagoas. O julgamento do fazendeiro começou pela manhã e não tem hora para acabar. Segundo o juiz José Braga Neto, da 9ª Vara Criminal do Fórum de Maceió, o tempo de duração vai depender das partes. "Se a defesa ou a acusação abrirem mão de pelo menos parte da leitura das peças do processo, o julgamento será rápido, caso contrário poderá se estender até a quinta-feira", afirmou o magistrado. Réu nega acusaçãoPela manhã, o fazendeiro foi interrogado pela acusação e pela defesa. Ele negou ter participado do crime e tentou denegrir a imagem de Renildo, dizendo que o vereador tinha sido demitido dos Correios por vender mercadorias roubadas.Questionado se sabia por que estava sendo acusado, José Renato disse que por questões políticas. Ele disse que o vereador estava sendo usado pelos irmãos Robson e Doca Coutinho, derrotados na eleições por seu filho, para prejudicar o seu grupo político.Essas informações são contestadas pelo assistente de acusação, o advogado Everaldo Patriota, e pelo secretário-geral do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Igor Nascimento."Como não tem como se defender, o fazendeiro está se fazendo de vítima e tentando transformar o Renildo em bandido", comentou Nascimento, para quem, apesar do tempo, a justiça será feita, com a condenação do réu. Por causa da saúde do réu, que tem cerca de 70 anos, uma equipe médica e uma ambulância do SAMU estarão no Fórum, enquanto durar o julgamento.No último dia 31 de maio, dois dos três acusados de execução do crime - o subtenente da Polícia Militar Luiz Marcelo Falcão e o soldado Paulo Jorge de Lima - foram condenados a 18 anos e seis meses de prisão. O terceiro acusado, o cabo Antônio Virgílio dos Santos, foi absolvido pelo júri composto por seis homens e uma mulher.

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