Fazendeiros criam fundo contra sem-terra

Os fazendeiros de Caiapônia, Goiás, criaram uma espécie de "fundo anti-sem-terra", para coibir as ações de famílias acampadas no município e financiar a polícia local.Além da manter uma reserva para cobrir custos jurídicos com as invasões, o dinheiro será aplicado na "manutenção dos veículos que comporão a patrulha rural", criada pela Secretaria de Segurança de Goiás. Só no fim de semana, cerca de 600 proprietários rurais do município arrecadaram mais de R$ 400 mil, com o leilão de 1.100 cabeças de gado, doadas pelos fazendeiros.Um dos produtores rurais, Antônio Rodrigues Santos Neto, afirmou que os recursos serão investidos na obtenção de liminares na Justiça e no "reforço policial". Neto disse que muitos fazendeiros pagarão os custos para trazer policiais de outros municípios, arcando com as despesas de combustível e hotel. Caiapônia, a 320 quilômetros de Goiânia, tem 20 mil habitantes e menos de 30 policiais.O produtor rural afirmou que o dinheiro do fundo não deverá ser empregado em armas, salvo exceção. "Só em caso de revolução na cidade", exemplificou. Neto disse que os fazendeiros não querem assentar famílias de outras cidades. A decisão de criar o fundo surgiu há dois meses, quando alguns sem-terra tentaram construir uma cerca na fazenda do proprietário Caio Souza Lima. Cinco pessoas ficaram feridas no conflito. O chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Efigênio de Almeida, confirmou a criação da patrulha. Segundo ele, esta semana o governo enviará o primeiro veículo para Caiapônia. O coronel disse que os fazendeiros podem contribuir com a manutenção do carro, desde que assinem um "convênio" com a prefeitura. "Nada impede que os fazendeiros paguem. Isso é uma cooperação", disse o coronel. Mas ele negou que a patrulha rural tenha a finalidade de vigiar ou perseguir sem-terra. "É para combater o roubo de gado na zona rural", disse o coronel. "Se alguém está pensando que é para monitorar sem-terra está enganado." A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caiapônia, Adelaídes Alves Rosa Martins, disse que o clima no município é de tensão. Segundo ela, as mais de 200 famílias que estão acampadas em três áreas do município, além de outras 125 em fase de assentamento, estão preocupadas com a "perseguição" aos sem-terra.

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