Febem do Tatuapé começa a ser desativada

O governador Geraldo Alckmin disse que a primeira fase de implantação do Parque do Belém, na zona leste, deve começar em julho. A nova área de lazer vai ocupar o terreno onde há hoje o complexo Tatuapé da Fundação do Bem Estar do Menor (Febem), que começou a ser desativada nesta quarta-feira com a demolição da unidade 33.Só no ano passado o complexo foi palco de 18 rebeliões. "Com essa desativação encerramos um modelo antigo de grandes unidades centralizadas, onde o adolescente cometia um ato infracional lá nas barrancas do Rio Paraná, e vinha parar aqui em São Paulo, longe da família", disse Alckmin. Em um ato simbólico ele derrubou uma das paredes da unidade 33. Os 75 adolescentes que estavam no local foram remanejados para outras unidades do próprio complexo.Segundo o governador, das 17 unidades do Tatuapé, outras cinco devem estar desativadas até o final de junho. "Até o meio do ano seis novas Febens devem estar prontas no interior. Conforme elas forem sendo inauguradas, vamos mandar os adolescentes para seus municípios de origem", declarou a presidente da Febem, Berenice Giannella. Atualmente há 17 unidades em construção no Estado, nove licitadas, seis em fase de licitação e 20 em negociação com as prefeituras.A área total do complexo Tatuapé é de 230 mil metros quadrados e as primeiras unidades a serem destruídas serão a 9, 17, 19, 20 e 16, que ficam na parte da frente do terreno e abrigam 320 adolescentes. Já a segunda fase do parque deve começar apenas no final do ano, quando todo o complexo já estiver desativado. No total, a Febem Tatuapé possui hoje 1270 internos.ManifestaçãoApesar da desativação do complexo ser uma reivindicação antiga dos funcionários da Fundação e de entidades de defesa dos direitos humanos, a demolição da unidade 33 foi vista como um ato eleitoreiro. "Eles só estão remanejando os adolescentes. E pior, misturaram os primários desta unidade com os reincidentes das outras", disse o presidente do Sindicato dos Funcionários (Sitraemfa), Antonio Gilberto da Silva. Durante a cerimônia de demolição da unidade ele e outros 10 funcionários se posicionaram no portão do complexo para criticar a atitude do governador.A presidente da Febem disse apenas que não sabe o que eles realmente querem, pois a desativação do complexo e a construção de unidades menores sempre foi o desejo dos funcionários. "Eleitoreira e política é a atitude deles", rebateu.

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