Fechamento do Cristo Redentor deve dar prejuízo de R$3 milhões por mês

Em todo parque, há 283 pontos de deslizamentos, 50 deles considerados grandes e muito grandes; R$ 5 milhões serão necessários para recuperação

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2010 | 18h29

 

RIO - O temporal que atingiu o Rio causou impacto também no turismo. Só com o fechamento do Cristo Redentor, cujos acessos estão interditados sem previsão de abertura, o prejuízo mensal para o governo federal será de R$ 3 milhões. "Isso sem contar o impacto no faturamento de quem vive do turismo. Fizemos um sobrevoo nesta terça-feira, 13, mas os técnicos ainda pediram cinco dias para entregarem laudo com a previsão para reabertura do Cristo", afirmou Bernardo Issa, chefe do Parque Nacional da Tijuca (PNT).

 

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Em todo o parque, há 283 pontos de deslizamentos, 50 deles considerados grandes e muito grandes. A Estrada de Ferro do Corcovado e a Estrada das Paineiras, principais acessos ao Cristo, estão obstruídas pela terra. E o caminho alternativo, a Estrada do Redentor, cedeu.

 

A Geo-Rio começou ontem a fazer a limpeza e as obras de contenção, mas a previsão é de que o trabalho leve seis meses para ser concluído. "Não temos prazo para reabrir o Cristo", afirmou Issa. Serão necessários R$ 5 milhões para recuperar o parque, R$ 1,5 milhão somente para os acessos ao Corcovado.

 

"É muito triste que o nosso maior cartão postal esteja fechado para visitação, mas achamos mais prudente que seja assim, enquanto o passeio não puder ser feito em segurança", afirmou o secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello.

 

Ele ressaltou que o Rio não conta com apenas esse atrativo e não acredita que isso afetará a vinda de turistas para a cidade. "Por acaso, isso aconteceu num momento em que o Cristo está em obras, já cercado por andaimes. Temos sorte de o Rio ter sido abençoado com outros cartões postais, como Pão de Açúcar, Jardim Botânico e Forte de Copacabana, por exemplo, que continuam funcionando normalmente".

 

Mas há outras atrações afetadas pela tempestade. O Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, zona norte, e o Museu Casa do Pontal, na zona oeste, estão entre elas. No Açude, a estrada de acesso ruiu, atingindo obra de Iole de Freitas e a piscina com louça portuguesa. "Teremos de fazer um trabalho arqueológico ali, porque está tudo soterrado. Só para recuperar o acervo serão necessários R$ 150 mil", explicou a diretora Vera de Alencar. A instituição, que guarda a coleção de arte oriental reunida por Castro Maya, deve ficar fechada por três meses.

 

A Casa do Pontal, que tem importante coleção de arte popular, só deve reabrir em maio, depois de minuciosa limpeza e dedetização - a água chegou à altura de 50 centímetros.

 

Programas ao ar livre também estão suspensos. A Lagoa Aventuras, empresa que há dois meses instalou rapel e circuito de arvorismo no Parque da Catacumba, na Lagoa Rodrigo de Freitas, está parada há uma semana. "O prejuízo financeiro é de cerca de R$ 10 mil. O pior é a perda institucional. No fim de semana, o cliente veio e ficou na porta do parque", comentou um dos sócios, Gabriel Werneck.

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