Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Fechar fronteira a venezuelanos é 'incogitável' e 'inegociável', diz Temer

Presidente afirmou ainda que a possibilidade de distribuição de senhas serviria para atender a diferentes demandas dos recém-chegados, como a compra de alimentos e remédios e a permanência no País

Roberta Pennafort e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 14h28
Atualizado 30 Agosto 2018 | 21h40

RIO - O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira, 30, que o fechamento das fronteiras brasileiras a venezuelanos é algo “incogitável” e “inegociável”. Já o governo de Roraima afirmou que, nesse cenário, o envio das Forças Armadas ao Estado é desnecessário.

Temer destacou que a possibilidade de distribuição de senhas em Roraima, por onde os refugiados da Venezuela têm entrado no Brasil, visaria a atender a diferentes demandas dos recém-chegados, como a compra de alimentos e remédios e a permanência no País. “Ou as pessoas não sabem ler ou não querem ler. Não há, não haverá isso (limite de entrada).”

“Bastava pegar afirmações minhas nos dias anteriores”, continuou Temer. “Houve até medida judicial com vistas a fechar as fronteiras e a advogada-geral da União trabalhou para revelar que, seja cumprindo legislação federal, seja por tratados internacionais que eu próprio assinei, seria incogitável (o fechamento).” 

Campo de refugiados

Para a gestão estadual, porém, o governo Temer está sendo “omisso” na crise e precisaria determinar um controle maior da fronteira. O Estado sugere que a entrada de imigrantes seja controlada, com a avaliação de antecedentes criminais e distribuição maior de imigrantes para outras regiões do País. “Está faltando pulso do governo federal para chamar os outros governadores para conversar e cada um ter a sua responsabilidade, de acordo com sua capacidade. Evidentemente, Roraima não pode se transformar em um campo de refugiados”, afirmou o secretário-chefe da Casa Civil de Roraima, Frederico Linhares.

Para ele, o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) assinado pelo presidente terá um impacto reduzido, porque se limita a enviar militares para a faixa de fronteira e rodovias federais – e o problema é de segurança e ocorre em áreas urbanas de Boa Vista e Pacaraima. Esses municípios concentram 90% do fluxo de imigrantes venezuelanos e já receberam 60 integrantes da Força Nacional de Segurança.

O período do decreto, que vence no dia 12 de setembro, também é muito curto, na avaliação do governo estadual. “Nós pedimos o envio das Forças Armadas em agosto do ano passado para que houvesse algo voltado ao patrulhamento da entrada de drogas e armas. Eles até podem fazer isso agora, mas se for durar até dia 12 não sei se vai ter um impacto real”, afirmou Linhares.

Mudança militar

Desde a decretação da GLO, cerca de 700 homens da 1.ª Brigada de Infantaria de Selva já estão atuando nas fronteiras do Brasil com a Venezuela e com a Guiana – anteriormente eram 300. “O Exército continuará com seu trabalho de fiscalização e patrulhamento das fronteiras e vai intensificar sua presença nas rodovias,” explicou o grupamento, em nota oficial.

O Exército criou ainda um posto volante nas BRs 174 e 401 e ficou definido que a Força Nacional de Segurança atuará nas ruas de Pacaraima e nos arredores de abrigos na capital Boa Vista, mas o patrulhamento ostensivo ainda caberá ao Estado. / COLABOROU CYNEIDA CORREIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.