Feira do Embu das Artes completa 38 anos na quarta-feira

Por entre ruas de paralelepípedos diversos estandes dividem espaços e vendem arte. Localizado a 15 km do bairro de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, há um município próximo à São Paulo que transpira cultura. Aos domingos, aproximadamente 20 mil visitantes circulam por este local que oferece uma das feiras de artes mais importantes do Estado: a Feira de Embu das Artes.A feira comemora 38 anos na quarta-feira, 31. A pintora Luzia Caetano, expositora desde 1966, "antes do início" da Feira, não consegue dimensionar palavras para dizer o que o lugar representa. "A Feira é minha vida, sem ela eu não viveria. Estou desde os quinze anos no Embu por causa dela. Para mim, a cidade se resume à Feira", conta.Para celebrar, a cidade abre, na data do aniversário, a exposição "Histórias da Feira", no Centro Cultural Embu das Artes, onde ficará em cartaz até 25 de fevereiro. Na ocasião, a quem visitar, será possível conferir curiosidades de Embu e histórias dos precursores da arte no município, alguns deles recentemente falecidos como Assis do Embu e Ana Moysés.Há, ainda, dados de outros artistas. Entre eles, Cássio M´Boy, Sakai do Embu e Solano Trindade. Ainda em 2007, a Feira ganha um novo segmento de misticismo e outras nações. "Será um local de coisas místicas, como tarô, e de outras nações, com representações de culturas de outros países", revela o secretário municipal de Turismo, Renato Gonda.PúblicoNa Feira há compradores de todos os tipos: desde curiosos a profissionais de arquitetura e decoração. "Do popular a classe A. É o grande shopping de casa a céu aberto", define. O público é predominantemente da capital paulista, segundo Gonda. "Mas há até mesmo compradores internacionais e pessoas de outros Estados que estão hospedadas em São Paulo e vão conhecer a Feira." Na grande Feira, de fato, o que não falta são produtos para casa. Há tapetes, móveis, antiguidades, acessórios, objetos de decoração e presentes. Os preços são variados. "Encontra-se produtos bem baratos na Feira, mas há antiguidades de US$ 50 mil", de acordo com Gonda.O secretário afirma que a Feira é responsável pelo início da transformação do município como ponto turístico e, ainda, a principal fonte de renda do setor. "Ela é o coração do processo político de Embu", filosofa.CriaçãoCriada em 31 de janeiro de 1969, a Feira teve apoio da Prefeitura local. O escultor Assis do Embu foi um dos "fundadores". Cristo do Embu, outra figura tradicional da cidade, lembra bem de Assis: "Expunha na Praça da República desde 68. Em janeiro de 69, o Assis convidou 20 artesãos para expor no Embu. A ditadura reprimia os hippies, então viemos pro Embu." Para ele, a Feira foi "a maior obra artística e social de Embu, feita pelo Assis". Tamanha admiração não é por acaso - Cristo do Embu tem na Feira o sustento de seu dia-a-dia. "Eu sempre vivi das minhas mãos. Criei meus sete filhos com a Feira. Eu nunca fui maltratado no Embu, todo mundo me trata com respeito", afirma. E complementa, com razão: "Eu faço parte da história da cidade".Segundo o secretário, a movimentação artística na cidade já vem de longa data. "A cidade já tinha um movimento de artistas desde os anos de 1920. Mas foi o Assis (do Embu) que trouxe alguns artistas da Praça da República (centro da cidade de São Paulo) e que, juntos, deram início à Feira", diz Gonda. Hoje ela é administrada pelo Conselho Gestor da Feira em conjunto com a Secretaria de Turismo, e têm legislação própria e regulamento interno. A cidade aposta no setor; prova disso é que os moradores, afirma Gonda, têm acesso a cursos e atividades de especialização.De segunda a segunda é possível achar artesanatos e objetos antigos, no local. Porém, é aos sábados, domingos e feriados, das 10 horas às 18 horas, que tudo funciona na Feira e, claro, a movimentação é maior. "Domingo é o dia mais cheio. Recomendo que as pessoas aproveitem os sábados, que tem metade do público, e encontra tudo aberto", ressalta o secretario.Manifestações culturaisNo total, na Feira são cerca de dez quarteirões com manifestações culturais, divididos em seis segmentos: artesanato, artes plásticas, antiguidades, verde (plantas), alimentos e manifestações artísticas. Por este último, entenda-se desde estátuas vivas à esquetes de teatro no meio da rua, pessoas fazendo música e vendendo, claro, seu trabalho.A Feira é, sem dúvida, o grande atrativo de Embu. Mas Gonda faz questão de ressaltar outros passeios, como as galerias de arte, museus e restaurantes. "Nós temos atrativos para atender o maior perfil de pessoas possível", declara. E cita, entre outros, o Centro Cultural Embu das Artes, Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, Memorial Sakai do Embu, Museu do Índio, Casa do Artesão, Parque do Lago Francisco Rizzo e Cidade das Abelhas.Fora da feiraPara quem já foi a Embu, a sensação é de estar num município pequeno, quase todo concentrado na área onde ocorre a Feira. Equivoca-se, no entanto, quem tem esta dedução. Segundo o secretário, a cidade tem quase 300 mil habitantes. "A parte da Feira é uma parte menor, representa 10% do total, mas a cidade é muito maior. As pessoas que vêm tem a sensação de que a cidade é só a parte do centro histórico, mas não é não", brinca.Mas o "caldeirão cultural" quer expandir seu potencial turístico, informa o secretário. "Estamos iniciando um processo de desenvolvimento do turismo ambiental da cidade. Queremos abrir espaço aos investidores para atrair e desenvolver a infra-estrutura hoteleira na cidade, e, assim, envolver cultura com ecoaventura", revela, lembrando que a cidade tem 60% da região em área de mananciais do Guarapiranga.FundaçãoA cidade foi fundada como Vila de M´Boy e atualmente é denominada oficialmente de Estância Turística de Embu. "Mas é mais conhecida como Embu das Artes e já existe um processo para oficializá-la assim", destaca o secretário de Turismo.Embu das Artes comemora aniversário em duas datas. Começou o processo de urbanização com os jesuítas, há 452 anos, e completa aniversário em julho. No entanto, Embu, emancipada politicamente há 48 anos, deve comemorar o fato no dia 18 de fevereiro. "A cidade transpira cultura e arte. Ela atrai artistas e artesãos de muitos lugares. A feira representa o espírito artístico e cultural", frisa Gonda, que faz questão de lembrar que ele mesmo é artista plástico. Definitivamente, a cidade de Embu é sinônima de cultura no Estado - e disso não há como duvidar.

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