Feira livre em versão orgânica e hidropônica

Sacolões ?naturais? vendem também vinho e champanhe

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Com a mesma proposta dos hortifrútis sofisticados de outros bairros, o Taya, nos Jardins, especializou-se em produtos orgânicos. Ao todo, são 2,5 mil itens. De maço de alface, por R$ 0,95, à champagne orgânica 7 Nardis, importada da Itália, fabricada com uvas sem agrotóxicos e processo de fermentação natural. Custa R$ 49,00 a garrafa, que neste fim de ano pode ser incluída em uma cesta de Natal ou comprada avulsa. Nos fundos, há um charmoso café, onde são vendidos sanduíches, quiches, saladas e lanches. "Nosso forte é a área de hortifrutigranjeiros, mas também vendemos carne, frango, laticínios, sorvetes, vinhos. Tudo produzido de acordo com os preceitos da alimentação orgânica, da forma mais natural possível, sem agrotóxicos - ou hormônios, no caso dos produtos de origem animal", diz o gerente da casa, Rodrigo Rufino.Há ainda vinhos orgânicos da Itália e Portugal, azeites e cachaça, além de pratos prontos vegetarianos, vendidos congelados. Às quintas-feiras e sábados, a loja promove uma feira, com legumes, verduras e frutas a preços promocionais. Mais para empório do que sacolão, a loja oferece também uma linha de produtos de limpeza da marca BioWash, fabricada com material biodegradável e aloe vera orgânico, além de sabonetes e xampus naturais. ALTERNATIVASAbertos dia e noite e com grande variedade de itens recebidos diretamente do produtor, essas novas lojas são uma alternativa às barulhentas feiras livres, com datas e horários limitados. E também aos supermercados, onde a oferta de frutas, legumes e verduras é menor."Eu diria que são um meio-termo entre supermercados e a feira. São pequenos, mas, têm de tudo para o dia a dia e de boa qualidade", diz a administradora de empresas Nina Lyra, de 39 anos. Uma vez por semana, ela passa pelo Natural da Terra do Brooklin, no caminho entre a sua casa e o trabalho. Só a cada 15 dias pára num supermercado para comprar produtos de higiene e limpeza. Desde que teve bebê, há um ano, Nina adotou uma alimentação mais saudável para ela e o filho e passou a consumir verduras hidropônicas, que encontra em boa variedade no hortifrúti. "Têm as folhas mais verdes e parecem mais frescas." Além disso, costuma pôr no carrinho um bom vinho importado, queijos de qualidade, grãos e frutas secas. E muitas vezes leva do sushi bar uma bandejinha já pronta de sashimi de salmão. "Como eles recebem o peixe todos os dias, dá mais segurança."Criada por quatro ex-feirantes que se conheceram fazendo compras na Ceagesp, a rede Natural da Terra destina pelo menos 60% do espaço aos hortifrútis, com uma ampla sessão de hidropônicos, cultivados na água. "Durante décadas trabalhando como feirantes nós percebemos que o perfil do cliente mudou. Hoje, o consumidor é muito mais exigente com relação à qualidade dos produtos e à sua saúde. Muitos também não querem mais perder tempo na feira, sob sol ou chuva, e sem lugar para estacionar. Surgiu daí a idéia dos hortifrútis", diz o sócio-fundador e diretor administrativo da rede, Florisvaldo Ruiz, de 43 anos. "O foco continua sendo o hortifrúti, mas com o diferencial dos hidropônicos e um pouco de tudo para o dia a dia."

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