Fenômeno climático teve dois picos, diz Climer/Epagre

O fenômeno climático, que atingiu 39 municípios catarinenses e um gaúcho por 200 quilômetros do litoral sul, é detalhado em três partes pelo Climer/Epagre, instituto de meteorologia do governo de Santa Catarina. O meteorologista Clóvis Corrêa, explica que o início do incidente ocorreu às 21h, e o pico da primeira banda, das 23h às 24h, com ventos superiores a 150 km/hora. Segundo ele, nas próximas horas e dias as áreas atingidas sofrerão instabilidades, com no máximo chuvas e ventos fortes. Não há possibilidade de uma nova tormenta atingir a região nas próximas horas e dias, previu o especialista. Após este período, duas horas transcorreram em calmaria, ocorrendo em seguida a segunda banda, tão ou mais forte do que a primeira. "Os ventos e rajadas, nesse momento, arrancaram telhados e postes", afirma o meteorologista. O especialista explica que o olho do furacão ocorre de forma mais lenta e menos ativa, ou seja, praticamente não causa estragos.Defesa Civil desaconselha envio de donativos a SCO capitão da PM e gerente de Prevenção da Defesa Civil de Santa Catarina, Márcio Luiz Alves, desaconselha o envio de ajuda às vítimas do fenômeno ocorrido entre a noite de ontem e madrugada de hoje, no litoral sul do Estado. "As diferenças climáticas e de costumes de uma região para outra no País são muito grandes, e para nós seria mais caro buscar, embalar e transportar os donativos, do que comprar produtos novos para a população atingida", explica o capitão. Além disso, ele avalia que as compras no próprio Estado são uma forma de realimentar a economia local, para que os municípios atingidos se recuperem. "Precisamos reconstruir serviços públicos, como tratamento e abastecimento de água, redes de energia elétrica, transporte e serviços essenciais", enfatiza.Dos 40 municípios atingidos em uma faixa de 200 quilômetros do litoral sul de Santa Catarina (Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, foi a única cidade gaúcha afetada), 20 foram severamente atingidas pelo furacão classe 1, como vem sendo denominado o fenômeno pelos meteorologistas catarinenses.O furacão classe 1, inicialmente reconhecido pelos institutos de previsão climática como ciclone extratropical, é inédito na América do Sul, explicou o secretário da Casa Civil e Coordenador da Comissão de Emergência do governo catarinense, Danilo Cunha. Segundo ele, o furacão é típico de regiões de águas quentes, daí o ineditismo da ocorrência no continente e, em especial em águas catarinenses - geladas inclusive durante o verão. BR 101 deverá ser liberada nas próximas horas A BR 101, rodovia federal que liga os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, está interrompida no trecho entre Sangão e Criciúma, passando por Araranguá devido ao fenômeno climático que atingiu o sul de Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul, da noite de ontem à madrugada de hoje. Lama, água e a queda de 150 árvores na pista, impedem a passagem de veículos, mas os trabalhos da Defesa Civil já foram iniciados e deverão ser concluídos nas próximas horas, disse Danilo Cunha nesta manhã.Os prejuízos sobre a economia local dos municípios atingidos vão desde a restauração de todas as vidraças de um hospital em Araranguá e outra em Criciúma, todas quebradas pelos fortes ventos, até a recuperação de indústrias de cerâmica da região, que respondem por 25% a 35% da produção em valor e volume, no País. O cultivo de arroz, muito forte nos municípios atingidos, na faixa de 200 quilômetros do litoral catarinense, também foi atingido pelo furacão. "A região tem muitas planícies e temíamos a invasão da água do mar, o que destruiria as plantações devido ao sal das águas", conta o secretário. Segundo ele, os rios também não foram atingidos, garantindo abastecimento de água potável (não salinizada) à população.Leia maisCiclone mata 1 e deixa mais de 100 desabrigados no SulFenômeno ainda gera dúvidas

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