Feriado prolongado não deve ser decisivo para eleição

Pesquisa indica ser igual a proporção de eleitores de Dilma e de Serra que pretendem ficar nas suas cidades e votar no domingo

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

O feriado de Finados não deve influenciar no resultado da eleição. Segundo o Ibope, é praticamente igual a proporção de eleitores de Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB) que pretendem ficar nas suas cidades e votar neste domingo: 95% e 94%, respectivamente.

O instituto perguntou aos eleitores o que pretendem fazer neste fim de semana prolongado, já que na terça-feira é feriado. Do total, 93% disseram que não viajarão antes de votar. Apenas 3% dizem que pretendem não votar, mas em igual proporção entre eleitores de Dilma e Serra.

Outros 3% disseram que ainda não decidiram ou que sua decisão depende de outros fatores, como o clima. Entre esses, a proporção é maior entre os que declaram voto no tucano (39%, ante 28% da petista).

De qualquer modo, a diferença de 14 pontos dos votos válidos em favor de Dilma é muito maior do que a soma dos que assumem que não viajarão e dos que admitem essa possibilidade.

O grau de conhecimento do número do candidato é ligeiramente maior entre os eleitores de Dilma: 89% sabem que ela é 13, enquanto 83% dizem corretamente que o número de Serra é 45. Logo, esse fator tampouco deve influenciar o resultado.

No primeiro turno, Dilma teve mais votos onde o porcentual de votos nulos foi mais alto. Isso aconteceu principalmente nas pequenas e médias cidades do Nordeste.

Combinação. Uma hipótese levantada pelo cientista político Jairo Nicolau é que isso seja uma combinação da baixa escolaridade dos eleitores com a dificuldade de votar seis vezes em seguida na urna eletrônica, numa ordem que coloca a eleição presidencial por último.

Se ele estiver correto, uma parte desses votos nulos poderia ser de eleitores da petista que erraram a ordem de votação e acabaram anulando involuntariamente. No segundo turno, com apenas um voto na maioria dos Estados, a probabilidade de esse erro ocorrer é menor.

Porém, esse fator seria contrabalançado pelo aumento da abstenção. Em 2006, ela foi maior no segundo turno do que no primeiro. Sem mobilização dos candidatos a deputado, a senador e a governador, mais eleitores deixam de comparecer aos locais de votação, principalmente no Nordeste e no Norte.

Desse modo, o que Dilma pode ganhar com a diminuição de voto nulo, ela perderia com o aumento da abstenção. Na prática, um fenômeno compensaria o outro. Para fazer diferença em favor de Serra, a abstenção teria de aumentar pelo menos 4 pontos porcentuais no Nordeste e nas pequenas cidades.

Debate. Hoje à noite haverá debate na TV Globo, o último evento de campanha neste segundo turno. É a última chance de haver um fato novo que possa mudar a tendência do eleitorado. Mas, olhando-se o retrospecto, é improvável que isso aconteça.

Até agora, 39% dos eleitores afirmam que Dilma tem ido melhor nos debates de televisão, 31% apontam Serra e outros 31% não sabem dizer. Ou seja, a avaliação sobre o desempenho dos candidatos acompanha a intenção de voto: quem vota em Serra cita o tucano, e quem vota em Dilma gosta mais da performance dela.

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