Fernando Henrique não quer Beira-Mar em Brasília

O governo federal não quer a transferência do traficante Fernandinho Beira-Mar para Brasília. Teme que essa mudança possa transformar um problema estadual em federal. A proposta chegou a ser defendida pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, no final de semana, e reforçada hoje por ele, ao sugerir que Beira-Mar fosse para uma prisão das Forças Armadas, já que com ele foram encontradas armas de uso exclusivo dos militares. Esta idéia desagradou assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso.Eles não querem que um assunto policial seja usado na campanha eleitoral. ?O problema não é do governo federal. É do governo do Rio. Eles que arquem com o problemas e assumam suas responsabilidades?, disse um auxiliar do presidente, depois de ressaltar que a proposta de Serra é uma opinião pessoal, que não é compartilhada pelo governo federal. ?O Serra não é porta-voz do governo e não é um ministro. É um candidato à Presidência e não fala pelo governo?, afirmou o auxiliar.Oficialmente, no entanto, por intermédio do porta-voz do Planalto, o presidente Fernando Henrique limitou-se a dizer que a transferência depende ?de decisão judicial? e lembra que ele ?foi preso pela polícia, foi julgado e condenado pela Justiça e que os eventos recentes ocorreram no âmbito da administração penitenciária?. O porta-voz disse que, no caso dos problemas ocorridos em Bangu I, o governo do Rio de Janeiro está tomando medidas para resolvê-los. Quanto à possibilidade de extradição de Fernandinho Beira Mar para os Estados Unidos, onde ele também está sendo indiciado, o porta-voz do presidente afirmou que não há registro de pedido de transferência do preso para o exterior. ?O tema é do Judiciário e o presidente não comenta?, disse o porta-voz.No Planalto, as palavras de Serra foram recebidas com reservas, já que todo o esforço do governo federal é de manter o governo federal afastado desse tema, embora o presidente Fernando Henrique tenha declarado, durante visita ao Rio de Janeiro, que o governo federal ia assumir a sua parte.Ele se referia à disposição de se esforçar para oferecer ajuda ao Estado, por meio de liberação de recursos dos Fundos Penitenciário e de Segurança Pública. Embora auxiliares do presidente Fernando Henrique Cardoso digam que cuidar do traficante mais famoso do País seja um problema do governo do Rio de Janeiro, entendem também que qualquer alteração na situação que existe hoje depende de uma decisão judicial do Rio de Janeiro, onde está o bandido, assim como de uma decisão do juiz para onde se pretende levar Beira-Mar.Os assessores de Fernando Henrique acham que o governo do Rio de Janeiro tem condições para resolver o problema de Beira-Mar. Ressaltam que não há espaço para uma solução provisória porque não se deve estar levando um criminoso como este de um lado para o outro. Para esses auxiliares, não há um problema momentâneo no Rio e a solução a ser encontrada deve ser definitiva.Quanto à proposta de ir para uma cadeia em quartel das Forças Armadas, classificaram como ?fora de propósito?. Os auxiliares do presidente lembram que essa proposta só vai servir para criar um problema entre os militares, que certamente vão ficar irritados com a idéia. ?Só faltava essa?, desabafou um oficial-general, ao tomar conhecimento da idéia de Serra.O candidato do PSDB, que estará nesta terça-feira, no Rio, participando de um debate com os militares, atendendo a convite da Fundação de Altos Estudos e Política Estratégica, ligada à Escola Superior de Guerra, é o que tem maior rejeição entre os militares.

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