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Ferroban reinicia operação semana que vem

O acidente ocorrido nesta quarta-feira num trecho da Serra do Mar com um trem da Ferronorte não comprometerá o fluxo de soja para o porto de Santos, segundo o presidente da companhia, Nelson Bastos.Ele disse nesta quinta à noite que a Ferroban (também subsidiária da Brasil Ferrovias, como a Ferronorte) mantém duas linhas de trilhos na serra, uma para subida e outra para descida. "Os trilhos no local do acidente estão sendo desobstruídos pelas duas pontas, com um guindaste que subiu de Santos e outro que veio de São Paulo", disse.Trecho de 150 metrosBastos afirma que até o início da próxima semana uma das linhas estará operando normalmente, sem qualquer prejuízo para o fluxo de mercadorias ao porto. "A via está intacta de modo geral; houve dano apenas num trecho de 150 metros, onde a locomotiva não conseguiu fazer a curva e arrancou os trilhos", disse Bastos.RemoçãoA parte mais difícil da desobstrução, segundo ele, é a remoção das locomotivas e vagões acidentados. Dos 55 vagões que compunham o trem, apenas 15 estão em condições de ser encarrilhados e rodar normalmente. "Os outros ficarão sobre uma das duas linhas até que possamos removê-los, mas o tráfego será recuperado bem antes disso."O tráfego de trens estará garantido mesmo com uma linha apenas no trecho, segundo Nelson Bastos, porque a distância é pequena, e a serra dispõe de muitos desvios de trilhos. "A demanda ainda é menor do que a disponibilidade de trilhos na Serra", afirmou.SojaDe qualquer modo, Bastos salienta que não haverá pressão para o restabelecimento da via, no que diz respeito à soja. "Os clientes vão tolerar a espera, e alguns estão até nos ajudando. A exportação de soja está mais lenta este ano, e os armazéns de Santos estão abarrotados. Tivemos até fila de trens recentemente, à espera de espaço para descarregar", disse o presidente da Ferronorte. "Há uma relativa folga no sistema, que esses poucos dias de interrupção do tráfego na Serra não vão esgotar."A Ferronorte obteve da Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo autorização para utilizar a malha da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na Grande São Paulo, para tráfego e manobras de seus vagões, segundo Bastos.Além disso, a companhia fez um acordo com a MRS Ferrovias (linha Santos-Jundiaí), concorrente da Ferroban no acesso a Santos, para levar vagões até as cercanias do porto. Também foi montado um serviço rodoviário entre o entreposto de Boa Vista, em Campinas, e o porto, para o transbordo e carregamento da soja por caminhão, caso necessário.Causa desconhecidaDe acordo com Nelson Bastos, a causa do acidente ainda não é conhecida, embora a Ferronorte já tenha descartado a possibilidade de falha mecânica. "A via suportou bem o descarrilamento e tombamento da composição.Os trilhos só foram arrancados na curva que a locomotiva não conseguiu completar, porque estava a 98 km/h, quando a velocidade máxima admitida no trecho é de 35 km/h", explicou Bastos, a partir de informações já apuradas na caixa-preta de uma das locomotivas. Falta ainda retirar do local e analisar a caixa preta da outra locomotiva.Mochila intacta"Além disso, os freios estavam perfeitamente acionados, tanto nas locomotivas quanto nos vagões. Não sabemos ainda o que gerou o descontrole da composição. O maquinista era experiente, inclusive em trechos de serra, estava na Ferronorte desde o início do ano e já havia feito o percurso 16 vezes, inclusive sob supervisão", disse.A Ferronorte está empenhada em descobrir o paradeiro do ajudante de maquinista, ainda não encontrado. "O lugar onde ele se sentava na locomotiva está intacto, a mochila dele estava lá, mas não há sinal do rapaz", disse Bastos. A Ferronorte pedirá à Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) que participe das investigações para detectar as causas do acidente e evitar novas ocorrências, segundo o presidente Nelson Bastos.

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