Festa em comemoração ao Dia do Samba atrai 50 mil no Rio

Quatro trens saíram da Central do Brasil com grupos de pagode, velha guarda e blocos carnavalescos

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2009 | 18h46

A brincadeira já dura 14 anos e começou despretensiosa: um grupo de amigos, encabeçado pelo sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz, lotou um vagão na Central do Brasil e seguiu até o subúrbio carioca, improvisando uma roda de pagode. Pois a festa cresceu, entrou para o calendário turístico da cidade e nesta quarta-feira, 2, atraiu cerca de 50 mil pessoas, que foram à gare ou ao bairro de Oswaldo Cruz, para comemorar o Dia Nacional do Samba.

 

 

Um vagão já não é suficiente - quatro trens foram destinados aos grupos de pagode, para a velha guarda das escolas de samba, e blocos carnavalescos. A lotação dos 28 vagões foi esgotada por 3.400 pessoas que trocaram um quilo de alimento pelo bilhete.

 

A costureira Ana Paula Santana de Freitas, de 33 anos, pegou os três filhos na escola às 10 horas e saiu de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, para acompanhar desde cedo a movimentação na Central do Brasil. "A gente adora. Vamos no trem da Mangueira, que fica lotado. Não dá para respirar, mas a gente samba até chegar lá", contou. Para garantir, levava chocalho e pandeiro. "Se faltar música, a gente também toca."

 

 

Em 1996, na primeira viagem do Trem do Samba, a ideia de Marquinhos de Oswaldo Cruz era refazer os caminhos de Paulo da Portela, um dos fundadores da escola, que nos anos de 1920 e 1930 aproveitava a volta do trabalho no trem para ensaiar, sem a ameaça de a polícia interromper. "A gente queria resgatar esse samba de raiz. E até hoje as grandes estrelas do trem são as velhas guardas das escolas", diz.

 

Se nas primeiras edições os sambistas se espalhavam em rodas quando chegavam a Oswaldo Cruz, agora há três palcos instalados no bairro. "A festa se profissionalizou, contamos com patrocínio, mas não perdemos a espontaneidade. E apesar de receber algumas cantadas para vender abadá para o pessoal que vai no trem, me recuso a fazer isso. O trem é para o povo", afirmou Marquinhos.

 

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