FHC apoia abrir arquivos, mas não crê em descobertas

Ex-presidente diz que documentos da ditadura foram destruídos e que Comissão da Verdade já deveria ter sido criada

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem ao Estado ser a favor da abertura de todos os arquivos da época do regime militar, mas adiantou que a dificuldade será encontrar os documentos. "Eu mesmo falei com eles (os militares) quando presidente e eles insistem que não há documentos", afirmou. Ele disse também ser contra a ideia de prolongar por mais 50 anos o sigilo sobre os arquivos militares, definida no decreto 4.554/02. "Eu fui acusado de ter proibido a abertura de arquivo por 50 anos. Aquilo ocorreu no meu último dia (no governo) e alguém colocou um papel para assinar lá", justificou-se. "Eu sou contra isso. Temos sim de abrir os arquivos", disse.

Sobre a dificuldade de encontrar novos documentos, acredita que o Exército diz a verdade. "Claro que havia, como não haveria. Mas foram jogados fora. Os responsáveis tiraram. Essa é que é a questão mais grave. Pode ser que descubram documentos. Mas, oficialmente, pode abrir à vontade que não vão achar nada", alertou FHC.

Ele se declarou favorável à criação de uma Comissão da Verdade, como sugere a presidente Dilma Rousseff - mas questiona a eficiência dessa iniciativa, quase 20 anos após o fim da ditadura. "Talvez fosse mais eficiente se tivéssemos criado isso tudo mais lá atrás. Muitas pessoas já morreram. E morreram dos dois lados. Hoje, seria mais um trabalho de memória."

O ex-presidente defende que essa memória seja respeitada e que as verdades sejam reveladas: "Acho que ainda vale a pena a ideia da Comissão."

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