FHC apresenta à Benedita 10 medidas para combater o crime

Depende da governadora do Rio, Benedita da Silva (PT), a adoção das dez medidas aprovadas, ontem, em reunião realizada no Palácio da Alvorada entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e os ministros-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, e o da Justiça, Miguel Reale Júnior, para combater o crime organizado no Estado. Reale alegou que não divulgaria as propostas, "por uma questão de gentileza e delicadeza com a governadora". Limitou-se a garantir que essas medidas poderão ajudar o Rio de Janeiro a conter a criminalidade.O presidente comunicou as medidas à governadora assim que terminou a reunião no Alvorada, no início da noite. A aplicação será imediata, assim que o governo federal receber resposta favorável da governadora. Mas os resultados não têm prazo para aparecer. O ministro da Justiça observa que promessas de medidas de efeito instantâneo são "mentira, falácia e ilusão".Desde já, Reale descartou a decretação do Estado de Defesa, pedido pelo prefeito do Rio, César Maia, anteontem depois que traficantes metralharam a sede da prefeitura. O ministro disse que o prefeito queria uma medida forte para enfrentar os traficantes mas o governo federal conclui que "o estado de defesa não se casa com esta hipótese". A Constituição prevê violação do sigilo de correspondência e de ligações telefônicas e proibição de reuniões, em caso de decretação do estado de defesa. O ministro chegou a rir da situação ridícula de tentar combater o tráfico de drogas com esse instrumento. Ele lembrou que crime organizado já não tem o direito de se reunir.O governo também não teria competência para atender ao pedido da governadora Benedita da Silva para transferir traficantes do Rio para outros presídios no País. "É uma medida que depende de ordem judicial", desconversou o ministro. Da reunião no Alvorada, que durou uma hora e quarenta e cinco minutos, participaram também o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, e o vice-presidente Marco Maciel.

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