FHC: Dilma terá de ''domar'' Lula

Ex-presidente alfineta sucessor e diz que ele está se metendo demais nas escolhas da eleita

ANNE WARTH, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

À medida que o atual governo chega ao fim , a velha polêmica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso sobre a arte de bem governar vai dando lugar a uma outra - a arte de ser ex-presidente. Numa homenagem a Ruth Cardoso, ontem de manhã em São Paulo, FHC alfinetou Lula por estar interferindo demais na formação da equipe da presidente eleita Dilma Rousseff: "O presidente Lula sempre dizia que eu me metia demais na política depois da Presidência. Agora é ele quem está se metendo demais", disse ele em tom de desafio, ao participar da inauguração do Orquidário Professora Ruth Cardoso, no Parque Villa-Lobos.

Na cerimônia, pilotada pelo governador Alberto Goldman, o ex-presidente ficou emocionado mas não perdeu a verve. "Se o presidente Lula abusar, cabe a Dilma controlar. Mas esse é o temperamento do Lula. Ele critica os outros e faz a mesma coisa".

FHC evitou dar conselhos ao presidente, mas não se furtou a relatar sua experiência como ex-presidente. "O Lula me deu tantos conselhos que acho melhor não dar nenhum. Não quero me meter a ser conselheiro do rei e nem do antigo rei, não é meu papel". Feita a ponderação, passou a rememorar lições que aprendeu pelo caminho. Por exemplo, a viagem à Europa que fez, com Ruth, assim que deixou a Presidência. "Uma viagem sem assessor, sem seguranças e sem automóvel, sem nada. Você agora é um cidadão como os outros", recordou.

Mencionou também as vantagens que há em se deixar o Palácio do Planalto e descer à planície. "Estou mais livre, posso andar sem gravata entre o pessoal engravatado, o que deixa muito feliz". Mas provocou: "O Lula também anda sem gravata, é verdade. Quem sabe, agora, ele use fraque".

Sobre os nomes dos ministeriáveis da equipe de Dilma Rousseff, FHC afirmou não ver nenhuma surpresa até agora. "O importante é: qual é o programa, para onde é que a gente vai."

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