FHC diz que Lula "é mais um caudilho peronista que chavista"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva "é um caudilho com traços peronistas mais que chavistas". Em entrevista ao jornal argentino La Nación, Cardoso afirma que "o programa político em jogo é mais ou menos o mesmo, o que os brasileiros estão escolhendo é um estilo de condução. É a luta é pelo poder", referindo-se ao segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.FHC também criticou o presidente argentino Néstor Kirchner por apoiar a candidatura de Lula. "O que o Kirchner vai fazer se Geraldo ganha as eleições? Foi uma imprudência de sua parte declarar o apoio à Lula. Isso não se faz", afirmou.Cardoso disse é óbvia a razão que o levou Lula ao segundo turno: "todo mundo pensava que os escândalos não o afetavam até que chegou o momento em que isso deixou de ocorrer. Primeiro, seu pessoal cometeu muitos erros construindo esse dossiê contra nosso candidato em São Paulo, José Serra. Depois não foi ao debate, em uma atitude um pouco arrogante. E também é preciso admitir que nos últimos dias os meios de comunicação foram bastante duros com Lula".O ex-presidente também destaca que Lula "não controla" o dia a dia no Partido dos Trabalhadores, nem do governo porque "não tem paciência com os detalhes". Ele diz que "é assustador a quantidade de pessoas à sua volta que se envolvem em casos de corrupção".O ex-presidente admite que em seu governo "poder ser" que tenha havido corrupção. "É impossível garantir que não exista corrupção em um governo; a diferença é que agora há um estímulo à utilização de métodos corruptos por parte de líderes do partido oficial. Lula não demite ninguém". Também admite que "na política brasileira é difícil não ter alianças com pessoas acusadas de algo. Lula o fez e eu também. Nosso sistema requer alianças"."Se Lula quer comparar meu governo com o dele, vai perder", afirmou Fernando Henrique.Cardoso destacou "faltou uma integração real do Mercosul porque Lula fez mais política do que integração econômica e social. Teríamos que ter criado uma comissão supranacional com mais poderes".

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