Celso Junior/AE
Celso Junior/AE

FHC elogia Dilma, e PT esquece ''herança maldita''

Em comemoração por seus 80 anos, Fernando Henrique enaltece carta enviada a ele pela presidente; petistas trocam bordão de Lula por legado positivo

Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Foi em clima suprapartidário, com direito a reconhecimento público do PT, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou ontem, em Brasília, a série de homenagens programadas pelo PSDB para celebrar a passagem de seus 80 anos completados no último dia 18. Depois de o presidente da Câmara, o petista Marco Maia (RS), tê-lo saudado como "um homem de bem, comprometido com o Brasil e com os valores do nosso povo", foi FHC quem elogiou a presidente Dilma Rousseff pela carta enviada na passagem de seu aniversário. Mas sugeriu a Dilma que dialogue mais com o Congresso.

O homenageado declarou-se "muito feliz" com o gesto de conciliação da presidente que, na carta, o reconhecera como um político que "contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica" no Brasil. "Muito mais que um gesto político, foi um gesto para dizer: olha somos todos brasileiros, em alguns pontos temos de nos entender", disse ao discursar.

Em meio à plateia eclética que lotou o auditório Petrônio Portela do Senado Federal, estavam sete governadores, dois ministros do Supremo Tribunal Federal (Ellen Gracie e Gilmar Mendes), e dois ministros do governo Dilma: Nelson Jobim (Defesa) e Garibaldi Alves (Previdência Social). Também homenagearam FHC o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e dirigentes de vários partidos da base governista e da oposição.

Armistício. "Esta festa não é partidária; é de amizade e de confraternização", disse o ex-presidente tucano, ao relatar que, diante de tantos elogios, quando no Brasil só se costuma falar bem de alguém depois de sua morte, chegou a perguntar a Deus se ele já havia morrido. O único tucano que fugiu deste tom ao final de sua fala de homenagem foi o ex-governador José Serra.

Em um discurso emocionado sobre a trajetória de vida do amigo há 46 anos, Serra debitou o Plano Real à "obstinação e persistência" do ex-presidente que tem "alma tolerante com os outros e com as críticas e sempre foi "exemplo de decoro, delicadeza e educação". Ao final, porém, saudou FHC como presidente que "nunca condescendeu com o malfeito, jamais passou a mão na cabeça de aloprado e jamais buscou dividir o país", sob espanto dos petistas presentes. Para Fernando Henrique, o Brasil avançou muito, mas ainda tem pela frente o grande desafio de construir uma "sociedade mais decente", em que o desenvolvimento sustentável alcance todas as pessoas. Ao final, advertiu que não basta o acesso à educação e à saúde pública, é preciso qualificar os serviços e dar o salto de qualidade.

Herança bendita. Representante do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que carimbou o legado da gestão FHC (1995-2002) de "herança maldita" ao assumir a Presidência em 2003, Maia admitiu que, nas eleições de 1994 e 1998, o "eleitor reconhecia em seu trabalho um homem comprometido com os interesses do País".

Também compareceram à homenagem o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Marta Suplicy (PT-SP), e o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO).

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