Marcio Fernandes/AE
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Ficha-suja, Maluf é o 3º mais votado em S. Paulo

Candidatos que só concorreram graças a recurso na Justiça têm boa votação e já contam com mandato

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

Com os votos contados em separado por determinação da Justiça Eleitoral, alguns candidatos ficha-suja tiveram votação expressiva e já contam com o mandato. "Eu vou ser diplomado, sim, porque não tenho condenação", disse o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP), que disputa vaga na Câmara dos Deputados. Com 495.193 votos apurados até as 23h15, que lhe dariam a terceira colocação entre os mais votados do Estado, Maluf disse que estava "na maior alegria".

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tiveram registro negado 1.248 políticos de um total de 22.555 - considerando todos os cargos em disputa. Nem todos os impugnados têm problemas nos tribunais. Muitos foram barrados porque não exibiram documentação em ordem à Justiça Eleitoral.

Os condenados concorreram, mesmo diante do futuro incerto.

Com a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por 4 votos a 2, Maluf não desistiu da campanha. Ontem, ele alegou ser inocente e afirmou que o caso de improbidade no qual o Ministério Público o enquadrou está sob análise do Tribunal de Justiça de São Paulo.

"Calculo que vou ter uns 620 mil votos", disse Maluf, que em 2006 recebeu 739 mil votos. Ele afirmou que não aceita a pecha de ficha-suja. "Minha ficha é de construção, não fiz minha imagem falando mal, agredindo ou fazendo gracinhas. Meu voto é o do reconhecimento. Mas não é o voto que me dá a certeza de que vou ser reconduzido à Câmara. Não tenho condenação, meu julgamento não terminou."

"Defendo que o voto de quem está impugnado pertence ao partido, o mandato pertence ao partido", disse o deputado Beto Mansur (PP-SP), ex-prefeito de Santos, que já tinha 64.131 votos até as 23h15. "Na eleição passada eu tive 67 mil votos, creio que vou ter mais agora. Estou tranquilo porque não há contra mim nenhuma ação de improbidade", afirmou Mansur. "Quem provocou a impugnação foi um adversário meu de Santos. Queria que isso fosse julgado antes. Sofri desgaste muito grande, três meses de campanha com a espada na cabeça é terrível."

Ao contrário do que ocorreu em São Paulo, o TRE do Pará não divulgou separadamente os votos de Jader Barbalho (PMDB)e Paulo Rocha (PT) na corrida para o Senado. Declarados inelegíveis com base na Lei da Ficha Limpa porque renunciaram para escapar da cassação, eles recorreram ao Supremo Tribunal Federal para se manter na disputa.

Na Paraíba, o TRE também não divulgou os votos do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), barrado pela Lei Ficha Limpa. A expectativa no Estado, porém, é de que Cunha Lima tenha mais de 900 mil votos.

Em Mato Grosso do Sul, o candidato ao Senado Dagoberto Nogueira (PDT) afirmou que o enquadramento na Lei da Ficha Limpa não impedirá sua vitória. Segundo pesquisas, Nogueira está 3 pontos à frente do deputado Waldemir Moka (PMDB). "Ficha suja não tem procedência para mim. Não houve dolo, são apenas questões políticas", afirmou. / COLABORARAM CARLOS MENDES, JOÃO NAVES DE OLIVEIRA E ADELSON BARBOSA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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