Fichas-sujas registram candidaturas

Alheios ao risco de perderem o direito, um ex-governador e muitos deputados apresentam seus nomes na Justiça eleitoral

Rosa Costa, Loide Gomes, Roberto Almeida, Carmem Pompeu, Tiago Décimo, Wilson Lima, Eugênio Nascimento, Jocyelma Santana e Carol Pires, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2010 | 00h00

Com possíveis brechas para driblar uma iminente impugnação, políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa pediram ontem, apesar de cassados ou condenados na Justiça, registro de candidatura nos Tribunais Regionais Eleitorais em todo o País.

Entre eles está um ex-governador recém-cassado, um acusado de chefiar a máfia dos sanguessugas, deputados condenados pela Justiça e parlamentares com nome inscrito na lista de inelegíveis do Tribunal de Contas da União por terem apresentado contas irregulares.

Cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em abril de 2009 por corrupção eleitoral, o ex-governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) fez ontem pela manhã seu registro no tribunal maranhense, mesmo sob a ameaça de ser alvo de processo de impugnação movido pelo Ministério Público Eleitoral do Estado.

A procuradora regional eleitoral do Maranhão, Carolina da Hora Mesquita Hohn, afirmou nos últimos dias que a candidatura de Lago é passível de representação porque se enquadraria nas restrições da Lei da Ficha Limpa.

Lago reconheceu o risco de não disputar as eleições. "Eu tenho a vida, as mãos e a consciência tranquila. Mas para quem luta contra essas estruturas viciadas tudo pode acontecer", disse o ex-governador.

Durante o registro de sua candidatura, Lago afirmou que "ninguém na vida pública do Maranhão tem a vida e a ficha mais limpa" do que ele.

Registro garantido. Em São Paulo, o deputado Paulo Maluf (PP) tentará a reeleição à Câmara. Segundo o partido, o registro de sua candidatura foi feito ontem. Maluf foi condenado por compra superfaturada de frangos pela 7.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele recorre da decisão e afirma que vai questionar a lei no Supremo.

Joaquim Roriz (PSC) registrou ontem sua candidatura ao governo do Distrito Federal, mesmo com o risco de não concorrer. Ele renunciou ao mandato de senador, em 2007, acusado de recebimento de propina. Roriz afirmou estar confiante de que sua candidatura não será impugnada. "Não tenho nenhum temor. Zero."

Acusado de envolvimento na máfia dos sanguessugas, em 2006, o ex-deputado Coriolano Sales, à época no PFL baiano, renunciou para preservar os direitos políticos.

Agora no PSDB, ele registrou sua candidatura para tentar voltar à Câmara. "Isso (a impugnação) é uma possibilidade, mas se acontecer vou recorrer até o Supremo", garante o ex-deputado, que ainda não foi julgado pela suposta participação no esquema de fraudes.

Jader. O procurador eleitoral Daniel César Avelino vai pedir ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará a impugnação das candidaturas dos deputados Jader Barbalho (PMDB) e Paulo Rocha (PT), que concorrem ao Senado. Jader e Rocha renunciaram para escapar de processo de cassação. "A minha renúncia foi uma medida preventiva", disse Jader, que afirmou não ter condenação judicial. Rocha não foi encontrado pela reportagem. /

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