Fiesp condiciona apoio à política econômica

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, declarou que a entidade vai apoiar o novo governo se for implementada uma política voltada para o crescimento econômico e prometeu limitar este apoio se não houver medidas neste sentido."Vamos dar todo o apoio, seja qual for o vencedor, até no Congresso, para que as coisas possam acontecer. Mas se ao longo do próximo ano as coisas novamente começarem a não acontecer, vamos diminuir o apoio e aumentar a pressão", disse Paulo Skaf em entrevista à BBC Brasil.O presidente da Fiesp, que está de passagem por Roma chefiando uma delegação de 250 empresários brasileiros em missão comercial na Itália, garante que a entidade não tem preferência por um ou outro candidato."O melhor candidato é o que o povo brasileiro escolher", sugere o empresário que disse ter encontrado os dois candidatos oferecendo propostas.´Página virada´Na avaliação de Paulo Skaf, a sociedade brasileira não aceita mais a atual politica econômica e exige mudança. Ele diz que é necessária uma política econômica que não deixe os juros nos atuais patamares e estimule o crescimento. A política dos últimos anos, ?que só pensa no combate à inflação?, justificava-se, a seu ver, 15 anos atrás.O presidente da Fiesp considera a inflação uma ?página virada? e o índice de 3%, previsto para 2006, mais uma demonstração de que este problema está sob controle.?Hoje você tem uma inflação de 3% ao ano e não de 84% ao mês, então a política tem que ser outra, não pode ter mais receio de demandas, esse episódio é passado, acabou.?O crescimento deve ser uma ?obsessão?, de acordo com a análise do presidente da Fiesp, da mesma forma que 20 anos atrás houve a obsessão pelo combate à inflação. Para atingir esta meta, ele considera necessárias reformas estruturais e tributárias, além da reforma das leis trabalhistas e de uma política de desburocratização e agilização.Segundo Paulo Skaf, o novo governo, antes de mais nada, vai ter que começar cortando gastos e não procurar arrecadar mais para suprir ?desperdícios?.?É preciso ter a obsessão por certas reformas, combater o desperdício e reduzir os gastos públicos. Este é o primeiro caminho, não pode ter outro".O Brasil tem condições de crescer acima das médias mundiais, na opinião do líder dos empresários brasileiros. ?Mas não é isso que temos observado ao longo desses anos?, segundo ele, com um crescimento de 2,3% no ano passado enquanto a média registrada no mundo foi de 5% e dos países emergentes de quase 7%.?O foco continuou nessa questão da inflação e da política de juros altos, câmbio baixo, se preocupando com um fantasma que não existe mais?.Essa política econômica, de acordo com Paulo Skaf, levou o governo a pagar R$ 160 bilhões de juros no ano passado.PrivatizaçõesQuanto às privatizações, Paulo Skaf acredita que, de modo geral, não foram nocivas ao país, mas que o assunto esquenta só em período eleitoral.?Quando chega o calor das vésperas das eleições as coisas começam a tomar uma forma, depois das eleições viram fumaça?, em sua opinião.O que já foi privatizado nem deve ser mais discutido, na avaliação do presidente da Fiesp, é ?leite derramado?. Com relação ao futuro, ele acha que ainda há setores que podem ser privatizados, como os serviços nos portos. Mas não a Petrobras.?A Petrobras vai muito bem, está dando um exemplo, fazendo um trabalho magnífico, temos uma situação de auto-suficiência de petróleo com uma produção de 1,9 milhão de barris por dia. Ninguém vai pensar em privatizar a Petrobras?, adverte.

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