Filha de comerciante morto por adolescente pede justiça

O autor dos três tiros que mataram o comerciante Akiteru Nagao, de 62 anos, é um adolescente de 17. Uma das filhas da vítima, Alice, indigna-se com a forma com que a lei trata o menor. ?O garoto matou meu pai e vai ficar preso 2, 3 anos. Isso é justiça??, pergunta. ?Se o bandido age como adulto deve ser julgado como tal.? Alice conta que os pais esperavam a chegada do neto, que nasceu prematuro dois dias após o crime. Helena, de 28 anos, a filha mais velha de Ariketu, estava grávida de 8 meses e foi operada às pressas, após o choque com a morte do pai. Alice diz ainda que a mãe, Yoshiko Nagao, de 57 anos, agora viúva, está ?perdida?. No sábado, 17, a polícia prendeu o assassino, menor de idade, e seu comparsa Bruno César Pereira, de 20 anos. O terceiro envolvido, Diego Henrique Rocha, de 19 anos, está foragido. ?Meu pai nunca resistia aos assaltos?, disse Alice. ?Ele dizia: ?Deixa roubar. Fazer o quê??? Mas, no dia 9, ele reagiu, pois os bandidos ameaçaram sua mulher. Ao defender a mulher, Akiteru foi morto pelo adolescente. O casal morava em um sobrado da Freguesia do Ó. Na parte de cima ficava a residência; no andar térreo, o mercadinho, fonte de renda da família. O casal teve três filhos, todos com vidas independentes. Alice, de 27 anos, é a filha do meio. O caçula, Ricardo, de 25 anos, mesmo resistindo à idéia de deixar os pais sozinhos na casa da Freguesia, decidiu seguir carreira em Manaus. Saiu da casa dos pais no último dia 4. Cinco dias após a ida de Ricardo a Manaus, os assaltantes invadiram o mercado dos Nagao. ?Que País é este?", pergunta Alice. "Daqui a pouco nós teremos de viver nas penitenciárias e os bandidos é que vão ficar nas ruas.? Alice fala que os pais estavam vivendo uma ótima fase. O casal planejava tocar o mercadinho por mais três anos e depois se aposentar. ?Eles queriam aproveitar a vida e, agora, não há mais planos, não há mais nada porque tiraram a vida do meu pai.?

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 10h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.