Polícia Civil
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Filha de Nem pediu ajuda ao PCC para atacar favela da Rocinha

Vídeos ligam ela e outros quatro suspeitos a um plano de retomada da comunidade, que envolveria 80 homens

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 13h47
Atualizado 19 de outubro de 2018 | 21h34

RIO - Filha do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, Eduarda dos Santos Lopes, de 19 anos, teve a prisão decretada, com outros quatro suspeitos, sob acusação de articular em São Paulo uma invasão da favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Ela aparece em vídeos combinando a ação violenta com criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC)

As imagens estão com policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Decod), que investigam a suposta tentativa de retomada do território por Nem, preso no presídio federal de Porto Velho (RO). “O conteúdo demonstra, de forma inequívoca, a intenção do traficante de retomar o mais brevemente possível o controle sobre o território perdido”, informou a Polícia Civil do Rio de Janeiro, por nota.

Em setembro de 2017, uma guerra pelo controle dos pontos de venda de drogas explodiu na Rocinha. O confronto opôs o bando de Nem à quadrilha de Rogério Avelino, o Rogério 157, espalhou-se pela cidade, chegou a outros bairros e resultou em mais de 30 mortos. Por causa da disputa, a comunidade ficou sob ocupação do Exército. Antigo chefe do tráfico na favela, Nem nunca se conformou com a perda do controle do tráfico local. Rogério também está preso, mas seus comparsas continuam ativos.

Em um dos vídeos, divulgados pela Rede Globo, Eduarda, conhecida como Duda, aparece em uma favela paulista com homens e acompanhada do namorado, Adriano Cardoso da Silva, o Modelo, antigo aliado de Nem. Em outra gravação, o casal participa de uma reunião com integrantes da quadrilha paulista, durante a qual planejaram a retomada da Rocinha. 

Nas imagens, os criminosos discutem o armamento que usariam - mencionam 556, um calibre de fuzil, e AR-10, um modelo da arma. Quando questionado por um dos criminosos de São Paulo, em uma das gravações, o homem que a polícia diz ser Modelo descreve o poder de fogo da quadrilha. “Nós temos 98 bandidos, certo? Noventa e oito ‘soldados’ e fora os amigos ‘tudo’ aqui”, afirma.

O plano

A Decod acredita que o plano era que pelo menos 80 criminosos participassem da retomada do controle da favela carioca utilizando armas pesadas. Até agora, três envolvidos - além do traficante Nem, Duda e Modelo - foram identificados, indiciados e tiveram a prisão decretada pela Justiça. São eles: o traficante de armas José Adailton Silva, Joelton Gomes de Souza e Rafael Quatroni de Oliveira. Segundo a polícia, Souza e Oliveira são integrantes da alta cúpula da facção criminosa no Estado de São Paulo.

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