Filha fica sem notícias da mãe por horas em Mariana (MG)

'A gente nem entendeu direito o que houve', disse Dirce Bretas, resgatada de Bento Rodrigues após o rompimento da barragem

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 22h07

A filha de 48 anos ficou sem notícias da mãe, de 73, por horas, durante a tarde de quinta, 5, e a madrugada desta sexta, 6. Quando ouviu do rompimento da barragem em Mariana, sabia que a casa onde cresceu não resistiria diante de uma tragédia daquelas. “Meu irmão jogou minha mãe no carro e a salvou”, dizia com olhos brilhando, a operadora de caixa Sueli da Conceição Sombreira, abraçada à mãe, Dirce Bretas.

Filha e mãe se encontraram no ginásio de Mariana, no começo da manhã. A informação do resgate tinha sido passada pouco antes, por telefone, pelo irmão. A mãe, falando muito baixo e com um pé enfaixado, contava sobre a noite anterior meio como uma aventura meio como um filme de terror. “Foi só a zoeira do pessoal, gritando, e a gente nem entendeu direito”, recorda a mãe, a dona de casa Dirce, agora sorridente. “Mas depois deu para ver que não sobrou nada”, continua, mudando o olhar para um jeito desolado.

Com 73 anos, despenteada, com um “vestido de ficar em casa”, ela sentou em uma cadeira plástica deixada no ginásio depois de passar a madrugada em pé. “Quis esperar na igreja, enquanto muita gente ficou do lado de fora. Encostei em um canto e fiquei em pé”, comenta, antes de uma pausa. “Não sobrou nada”, prosseguiu a idosa, balançando negativamente a cabeça, antes de marejar os olhos. 

Sem soltar o braço da mãe, agachada ao lado da cadeira, a filha disse que fariam o cadastramento que os voluntários pediam. Mas não escondia a pressa em levá-la para casa. A filha era só rancor em relação à empresa Samarco, responsável pela barragem que rompeu. “Eles tinham de ter um jeito de avisar as pessoas. Só tinha bombeiro, Defesa Civil, não tinha uma equipe deles ajudando as pessoas”, dizia.

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