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Filho de brasileiro vítima do furacão Sandy diz que pai voltava do trabalho

Tiago Ferreira Neto, de 54 anos, morava sozinho em um subúrbio de Nova York; notícia sobre a morte demorou para chegar para família

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

02 Novembro 2012 | 21h28

Um brasileiro está entre as quase cem vítimas fatais do furacão Sandy, que se transformou em tempestade tropical ao atingir o continente na noite desta segunda-feira. Tiago Ferreira Neto, de 54 anos, morreu ao bater com seu carro contra uma árvore quando retornava para a sua casa no subúrbio de Nova York.

"Meu pai estava voltando do trabalho e já era 19h45. O furacão estava em seu momento mais forte. Em uma curva, uma árvore caída acabou atingindo a sua cabeça e quebrando o pescoço. Ele morreu na hora", disse ao Estadão Lincoln Ferreira Neto, seu filho, de 29 anos. Eles haviam falado por telefone horas antes.

A notícia demorou para chegar para a família. "Meu pai morava sozinho. Os policiais foram até a casa dele e conseguiram falar apenas com o homem que a alugava para ele, que passou meu contato", acrescentou Lincoln, que vive a cerca de 45 minutos do pai. Ele tentou ligar diversas vezes e chegou a ir à pizzaria onde o pai trabalhava na terça-feira. Apenas no fim do dia seguinte ao furacão teve a notícia da morte.

Ferreira Neto morava em Yonkers, um subúrbio de Nova York ao lado de Mount Vernon, uma cidade no Estado de Nova York com a maioria da população de origem brasileira. Até seis meses atrás, ele vivia com a sua segunda mulher, uma brasileira, que foi hospitalizada devido ao trauma da notícia.

Além de Lincoln, que trabalha como entregador de pizza como o pai, Ferreira Neto possuía outros três filhos. "Dois moram no Brasil, um na Bolívia e eu aqui", disse Lincoln, que é casado e possui dois filhos pequenos.

Ferreira Neto, treze anos atrás, imigrou com a mulher para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Trabalhou em diversas atividades e não possuía planos de retornar ao Brasil. "Minha mãe voltou no ano 2000, mas ele decidiu continuar", disse Lincoln, que se mudou para os EUA mais tarde, em 2006, para ficar com o pai.

Nos últimos anos, Ferreira Neto havia se casado de novo, mas há seis meses estava separado. Como ainda não era oficial o divórcio, ela tem o direito de decidir o que fazer com o corpo. "Já preparei tudo com o consulado para levar o caixão, mas ainda dependo dela", afirma o filho. O translado ainda não tem data determinada.

No ano que vem, Ferreira Neto iniciaria o processo para obtenção do greencard, regularizando a sua situação nos EUA. "Minha cidadania sairá em breve e ele poderia conseguir o greencard através de mim", segundo Lincoln, que está em situação legal no país.

O restante da família, já informada sobre o episódio, não viajou aos EUA e aguarda a chegada do corpo de Ferreira Neto ao Brasil. O Consulado brasileiro em Nova York tem prestado assistência a Lincoln, que planeja ir ao enterro com a mulher e os filhos.

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