Filho de desembargador morto no Rio diz que pai não tinha inimigos

Ricardo Damião Areosa e Cristiane Pinto pularam pela janela do apartamento para escapar de incêndio

Heloisa Aruth Sturm,

04 Março 2013 | 18h14

RIO - A delegada da 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), Flávia Monteiro, que investiga o incêndio no apartamento do desembargador Ricardo Damião Areosa, disse não descartar nenhuma hipótese. De acordo com a Polícia Civil, o filho do desembargador prestou depoimento na noite de domingo (3) e afirmou achar "difícil a hipótese de incêndio premeditado, porque o pai não tinha inimigos".

A delegada esteve no local logo após o incêndio, mas devido às condições do apartamento, o trabalho pericial só pôde ser realizado nesta segunda-feira. De acordo com o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), o laudo estará concluído entre 15 e 30 dias. A delegada ainda vai ouvir alguns moradores e o porteiro do edifício.

A Defesa Civil foi acionada pelos bombeiros para realizar vistoria no prédio e identificar se houve dano à estrutura ou aos apartamentos vizinhos. Porém, o serviço será executado somente após o trabalho da perícia, para não prejudicar a integridade do local.

O desembargador Ricardo Damião Areosa, de 57 anos, e a advogada Cristiane Teixeira Pinto, de 33, morreram na noite de domingo, depois de pularem do apartamento onde moravam, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, para escapar de um incêndio. O casal morava na cobertura de um prédio de quatro andares e não conseguiu abrir a porta, que era blindada. Eles tentaram então pela janela da área de serviço, e saltaram de uma altura de 16 metros.

Areosa caiu em cima de um muro e morreu imediatamente. Cristiane atingiu o toldo de um prédio vizinho e chegou a ser socorrida com vida, mas morreu no Hospital Miguel Couto, vítima de traumatismo craniano. De acordo com testemunhas, os bombeiros teriam chegado ao local somente 35 minutos depois do início do incêndio, e os hidrantes da rua estariam sem água.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a solicitação de socorro foi registrada às 23h24 no quartel da Gávea e a guarnição chegou ao local às 23h30. De acordo com os militares, quando a equipe chegou, o casal já havia saltado pela janela do apartamento. Segundo os bombeiros, a porta blindada do imóvel - com quatro fechaduras - dificultou o acesso. A corporação também informou que, apesar da inoperância do hidrante, não faltou água para o combate ao incêndio, pois foi captada água no prédio vizinho.

Areosa era desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de cinco livros, dentre eles "Processo do Trabalho - Teoria Geral do Processo Trabalhista e Processo de Conhecimento", publicado em 2009.

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