Filho de Herzog compara caso Amarildo a morte de seu pai

'Essas coisas, 38 anos depois, continuam a acontecer', disse, citando o envolvimento da polícia nos dois casos

Eduardo Bresciani, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2013 | 13h53

Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, comparou o caso do pedreiro Amarildo de Souza ao assassinato do seu pai nas dependências do DOI-Codi em São Paulo durante a ditadura militar. Ele observou que os casos tem semelhanças pelo pedreiro também ser vítima de agentes do Estado. Amarildo desapareceu após sair da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da favela da Rocinha no dia 14 de julho.

Nesta quinta-feira, 3, Ivo participou no Senado do lançamento do livro "A construção da democracia e liberdade de expressão: O Brasil antes, durante e depois da Constituinte", obra em alusão aos 25 anos da Constituição de 1988 editada pelo Instituto Vladimir Herzog, presidido por Ivo, com apoio do Instituto Palavra Aberta e das Organizações Globo.

A comparação foi feita pelo filho de Herzog na abertura do evento, na qual citou reportagem do Estado sobre a morte do jornalista. "No dia 25 fará 38 anos do assassinato do meu pai e trago aqui um trecho do Estadão que diz 'inquérito indica tortura com choque e asfixia antes da morte'. É a mesma manchete do caso Amarildo. Essas coisas, 38 anos depois, continuam a acontecer", afirmou.

Em entrevista após o evento, Ivo afirmou que a impunidade dos agentes do Estado ainda persiste no País e que, se o caso do seu pai serviu para ampliar a liberdade de expressão, é preciso que a situação de Amarildo contribua para o desenvolvimento da justiça e o fim da sensação de impunidade.

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