Filho de ministro morreu em acidente de carro no Rio

Tragédia motiva Fortes a buscar soluções para o setor

Fernanda Aranda, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

Na madrugada do dia 25 de janeiro de 2004, o filho do ministro das Cidades, Márcio Fortes, morreu em um acidente de trânsito no Rio. Marcel Luiz Fortes de Almeida, 23 anos, filho do então secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, voltava de uma festa com quatro amigos, quando o Astra que dirigia bateu num poste, na Praia de Botafogo. Almeida morreu na hora. Jaime Gestal, de 22 anos, foi levado para o Hospital Miguel Couto, onde foi medicado e liberado. Os outros ocupantes do carro não se machucaram. Segundo a polícia, o carro capotou várias vezes, atingiu o poste e duas árvores, ficando totalmente destruído. Após avaliações médicas, a constatação é de que a tragédia foi influenciada pela ingestão de altas doses de antibióticos. O jovem havia extraído quatro dentes do siso na semana do acidente. "A tragédia com o meu filho resultou de uma soma de fatores. A pista estava com condições inadequadas, faltava sinalização, outros vários acidentes já aconteceram no local (três no mesmo ano). Mas a fatalidade, no meu caso, também foi provocada pela interferência dos medicamentos. Era um menino que dirigia muito bem. Esse assunto precisa ser amplamente debatido." No ano passado, Fortes já havia defendido medidas para evitar tragédias desse tipo, como a instalação de chips em todos os carros do País. No futuro, ele espera ver os equipamentos sendo usados para multar motoristas por excesso de velocidade em todo o País. Isso seria feito com base na velocidade média de um veículo entre uma e outra antena de monitoramento. "Com antenas espalhadas pela cidade, o motorista vai ter sempre de respeitar a velocidade e perder o hábito de só diminuir a velocidade quando o veículo passa por um radar." Desde que assumiu o ministério, Fortes defende a ampliação de campanhas de esclarecimento e de educação no trânsito. Dentro do governo, tem lutado para ampliar a utilização de recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset). No ano passado, passou a contar com o apoio do Ministério Público nessa questão. O Funset foi criado em 1998 e é composto por 5% do total arrecadado com multas em todo o País, que são depositados mensalmente na conta do fundo. No ano passado, o Orçamento para educação no trânsito previa o empenho de R$ 80 milhões. No entanto, o fundo arrecadou mais de R$ 800 milhões. Queixa no mesmo sentido foi feita em 2007 pelo diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Alfredo Peres. Ele calculava em aproximadamente R$ 4,5 bilhões a verba que poderia estar à disposição do Denatran para educação de trânsito, prevenção de acidentes e inspeção veicular. São aplicados R$ 3 bilhões por ano em multas e o DPVAT arrecada algo em torno de R$ 1,5 bilhão. Mas o dinheiro não vai automaticamente para o orçamento do governo. O orçamento do Denatran é de R$ 65 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.