Filho de publicitário assassinado tinha sua própria agência

Os planos de seguir os passos do pai e tornar-se um empresário bem-sucedido, ostentando importantes clientes, fizeram com que Gil Grego Rugai, 21 anos, abrisse uma agência de publicidade e propaganda no final do ano passado. Ele é o filho mais velho do primeiro casamento do publicitário Luiz Carlos Rugai, que foi assassinado na noite do último domingo, junto com sua mulher, Alessandra Troitino, em sua casa, em Perdizes. De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, Gil abriu, em sociedade com o publicitário Rudi Otto Kretschmar, a empresa KTM Comunicação Ltda., em 21 de novembro de 2003, localizada na Rua José Maria Lisboa, 111, no Jardim Paulista. Após cursar um seminário, Gil desistiu de ser padre e foi para a faculdade aprender a administrar empresas. O estágio foi na própria produtora do pai, a Referência Filmes, que funcionava na sua casa, e durou todo o ano passado. Em novembro, Kretschmar, seu sócio e amigo, foi contratado pela Referência, segundo o seu advogado, Franceo Delfino de Azevedo. Até que, na terça-feira passada, Gil e Rugai tiveram uma discussão por motivos financeiros da empresa. A divergência fez com que Gil fosse afastado do controle da contabilidade da produtora. Alessandra, mulher de Rugai, então, assumiu o comando. Magoado, o filho deixou de morar com o pai e ficou na casa da mãe, Maristela Grego. A polícia não descarta a hipótese de mais de uma pessoa ter participado do duplo homicídio. Segundo o delegado da equipe I-Sul do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Mauro Argachoff, o executor era uma pessoa próxima das vítimas. Onze pessoas já prestaram depoimentos à polícia. O publicitário Kretschmar foi o único ouvido pelo DHPP ontem. O seu depoimento durou cerca de três horas e o delegado pediu para ele voltar à noite, para prestar novos esclarecimentos. Apesar de os filhos de Rugai terem sido intimados a depor, a polícia ainda não os ouviu. Ontem, o advogado criminalista Antônio Carlos Mariz de Oliveira declarou ter aceito ser o advogado de Gil e Leonardo. O crime segue em segredo de Justiça. O juiz Cassiano Ricardo Zorzi, do 5º Tribunal do Júri de Pinheiros determinou a ordem de quebra de sigilo telefônico e autorizou o grampo dos telefones fixos e celulares dos filhos, parentes e amigos das vítimas. A polícia aguarda o resultado das cinco microfilmagens de cheques da produtora Referência. Os exames grafotécnicos deverão ficar prontos hoje. Com a análise será possível obter indícios do autor do desfalque de R$ 100 mil que a empresa sofreu há um mês. Ontem, Maristela contou que o relacionamento de Gil e Rugai era "bom", e que eles tinham o hábito de realizar uma reunião semanal para discutir as relações profissionais e pessoais. Sobre a abertura da empresa, ela negou que Gil fosse sócio de uma agência. Maristela preferiu não dizer se estava com o filho na noite do crime.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.