Filho de vereador é acusado de comandar mortes no Rio

Para delegado, filho do Jerominho Guimarães também teria participado das execuções na Favela do Barbante

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2008 | 18h34

Três PMs, dois policiais civis e um bombeiro estavam entre os 17 homens que assassinaram sete moradores da favela do Barbante, em Campo Grande, na zona oeste do Rio. A ação, segundo o delegado Marcus Neves, foi comandada por Luciano Guinâncio, de 29 anos, filho do vereador Jerominho Guimarães (PMDB), que está preso sob a acusação de comandar milícias na zona oeste. Dez dos 17 acusados já foram identificados e tiveram a prisão pedida nesta quinta-feira, 21, à Justiça.   Veja também: Secretário de Segurança do Rio depõe na CPI das Milícias Câmara aprova projeto que criminaliza as milícias Polícia acusa milícia de matar 7 moradores no Rio   "Luciano participou efetivamente do atentado, como mandante e executor. Mandou executar algumas pessoas e executou pessoalmente outras", afirmou o delegado Marcus Neves, titular da 35.ª Delegacia de Polícia (Campo Grande). A polícia ocupou a favela nesta manhã e parte do comércio ficou fechado. Três das vítimas foram enterradas também foram enterradas nesta quinta.   Para o delegado, a intenção da milícia era se passar por traficantes - eles usaram toucas ninjas para esconder o rosto. "Esse atentado teve o objetivo de criar a idéia na comunidade de que a presença dos milicianos era imprescindível. E alguns candidatos ligados aos milicianos deveriam ser prestigiados (eleitos), para que a milícia permanecesse na comunidade", afirmou Neves. "Trabalho com a possibilidade de a filha de Jerominho, a candidata a vereadora Carminha Jerominho, ser uma dessas referências".   O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, classificou a ação de "medida desesperada e inconseqüente". "Eles agiram no sentido de demonstrar força e persuadir a população de que a milícia, em tese, não deixaria o tráfico entrar. É mais uma maneira (de agir) estúpida, violenta e burra desse grupo", afirmou Beltrame.   A prisão dos acusados de serem os principais líderes da milícia - além de Jerominho também está preso seu irmão, o deputado Natalino Guimarães (DEM) - fez com que o poder dos milicianos na zona oeste ficasse enfraquecido. De acordo com Neves, a milícia perdeu o comando sobre parte da favela da Carobinha, tomada por traficantes, mas ainda se mantém na Vila Carioca e Barbante. "A atividade econômica corresponde a 10%, 20% de seis meses atrás e ainda tem algum poder armado", afirmou.   Beltrame compareceu à CPI das Milícias, na Assembléia Legislativas e apresentou dados que apontam para a redução da violência após iniciado o combate às milícias na zona oeste. Segundo ele, os homicídios caíram 51% e encontros de cadáver (quando a vítima é morta em um lugar e o corpo abandonado em outro ponto) tiveram redução de 38%.   "Acabou essa história de a milícia ser tratada como um mal menor. Ficou muito claro no depoimento do secretário de que o entendimento da secretaria é de que é a milícia é a maior ameaça que se coloca contra a sociedade e o poder público no Rio de Janeiro", afirmou o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (Psol).

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