Filho de vítima de chacina aponta PM como culpado

No segundo dia de julgamento do soldado da Polícia Militar Carlos Jorge Carvalho, mais uma testemunha de acusação o reconheceu como um dos assassinos das vítimas da chacina da Baixada Fluminense, ocorrida em 31 de março do ano passado. P.R., cujo pai C. F. R., foi assassinado no episódio, em Queimados, afirmou em depoimento no Tribunal de Júri de Nova Iguaçu, onde o militar está sendo julgado, que viu o PM com uma arma na mão saindo do bar de seu pai logo após o crime. O rapaz contou que já tinha identificado o soldado por fotos de jornais. Antes, outra testemunha de acusação, D., que estava com um amigo, que acabou morrendo na chacina quando os atiradores agiram, já havia dito no julgamento que vira Carvalho em outro local do crime. Outra testemunha de acusação, C.H.S., único sobrevivente da chacina, também depôs e reconheceu o PM. "Foi Carlos Carvalho", disse, apontando Carvalho como o homem que atirou em sua perna. C.H.S, de 45 anos, ficou traumatizado depois do crime e perdeu a memória, mas recuperado, decidiu falar pela primeira vez no processo. O julgamento, que deve terminar nesta quarta-feira, 23, prossegue nesta tarde com as testemunhas de defesa.O soldado é acusado de 29 homicídios duplamente qualificados - cometido por motivo fútil (demonstração de força na Baixada Fluminense) e com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas -, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Ele já tinha sido condenado a 7 anos e oito meses de prisão, no início deste mês, em outro processo, por receptação de carros roubados.A chacinaA chacina ocorreu na noite de 31 de março de 2005, nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Vinte e nove pessoas foram assassinadas e uma ficou ferida. Nesta segunda, 21, cerca de 80 parentes das vítimas lotaram a sala do Tribunal do Júri. Eles chegaram cedo ao fórum, levando faixas de protesto e vestindo camisetas com fotos e nome dos mortos.

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