Filho mantém corpo de mãe em casa dois meses após a morte

Desempregado solicitou serviço funerário para remover corpo, que permanecia sentado numa cadeira no quarto

Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 14h53

Um desempregado manteve em casa durante cerca de dois meses o corpo da mãe, uma idosa de 83 anos, informou nesta quinta-feira, 2, a Polícia Militar em Bom Despacho, na região centro-oeste de Minas Gerais. A hipótese de homicídio foi descartada, já que o corpo não apresentava sinais de violência.

 

Na última segunda-feira, policiais e agentes funerários se depararam com uma cena chocante ao atenderem um chamado. Renato Ribeiro, de 47 anos, solicitou serviços funerários, informando sobre a morte da mãe, a aposentada Maria Lila Prado.

 

Uma viatura da PM e agentes funerários se deslocaram para a residência onde mãe e filho viviam reclusos, no distrito Engenho do Ribeiro, área rural do município. Quando lá chegaram, sentiram um forte odor vindo da casa. Como estava trancada, os PMs decidiram arrombar a porta.

 

Em adiantado estado de decomposição, o corpo da idosa permanecia sentado numa cadeira, na entrada do quarto da residência. "Estava praticamente só o esqueleto", contou o capitão Geraldo Elias de Araújo, comandante da companhia da PM na cidade.

 

Ribeiro foi levado para a delegacia de Bom Despacho, onde prestou depoimento. Ele alegou que não queria que vizinhos soubessem da morte da mãe e por isso manteve o corpo dela na casa fechada. Durante todo esse tempo, usava papel higiênico para "limpar" o corpo decomposto. O desempregado contou aos agentes funerários que para suportar o forte cheiro jogava desinfetante, água sanitária e pedras de naftalina no chão.

 

Aos policiais militares disse que sua mãe havia falecido no dia 3 de março, mas peritos e um médico legista constataram que a idosa teria morrido há cerca de 60 dias. A polícia entendeu que não houve crime de ocultação de cadáver. Depois de ouvido, Ribeiro foi liberado.

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