Filhos de Gandhy mudam a cor do turbante

O afoxé Filhos de Gandhy foi protagonista de um momento histórico neste domingo no carnaval baiano. Após 57 anos de vida, o afoxé trocou o tradicional turbante branco por um de cor azul. A razão foi a descoberta, 40 dias antes do carnaval, de falsificadores de fantasias. "A única forma de evitar a invasão de não-associados foi mudar a cor do turbante" explicou pouco antes do afoxé começar seu desfile no final da tarde, o coordenador-geral da agremiação Paulo César do Sacramento. Ao invés do "tapete branco da paz" que caracterizava a passagem do Gandhy, a Rua Chile onde começou o desfile se transformou numa bela mancha azul "da cor do céu e do mar" disse Sacramento, explicando que embora tenha sete mil associados, houve anos em que havia 15 mil nas ruas devido à falsificação. No início do desfile, de cima do caminhão onde vai uma parte da banda, os diretores do Gandhy jogavam pipoca nos associados, um rito do Candomblé para abrir os caminhos e "limpar" o corpo das pessoas, evitando as brigas. Na Praça Castro Alves soltaram várias pombas brancas. "Vamos levar nossa mensagem de paz", incentivava, gritando o tradicional "Ajariô". Com o ritmo cadenciado do ijexá, o Gandhy mais uma vez encantou as pessoas que se espremiam na avenida para ver o afoxé passar.

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