Filhos do coronel Ubiratan depõem mais uma vez

Apesar de o delegado Armando de Oliveira Costa Filho ter afirmado na noite desta quarta-feira, 13, que a polícia está ´a dois passos de esclarecer´ a morte do coronel de reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães, assassinado no último sábado, 9, a investigação não deve terminar nesta quinta-feira, 14. O dia será marcado por mais depoimentos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que devem recomeçar às 13 horas. Os três filhos de Ubiratan, Fabrício, Diogo e Rodrigo, serão ouvidos mais uma vez, além de outras quatro pessoas ainda não confirmadas.DepoimentosNesta quarta-feira, foram ouvidos os filhos do coronel, a namorada de Ubiratan, a advogada Carla Cepollina e o chefe de gabinete, Eduardo Anastazi. Segundo o advogado da família de Ubiratan, Vicente Cascione, um dos filhos, Fabrício, declarou na que a arma do crime é o revólver calibre 38 de Ubiratan, desaparecido desde sábado. O advogado contou que Fabrício pretendia indicar onde a polícia poderia encontrar um projétil de Ubiratan - disparado num local onde houve um tiro de teste - para fazer a comparação. ´Ambos saíram da mesma arma.´ Segundo Cascione, ´ninguém entrou armado para atingir o coronel´, ou seja, o assassino estava lá dentro. Carla, que deve falar com a imprensa nesta quinta-feira, prestou depoimento pela terceira vez das 13 às 17h30 e negou novamente a autoria do crime.Exoneração Carla era funcionária da Assembléia Legislativa, mas nomeada no dia 23 de agosto para o cargo de secretária parlamentar do gabinete do namorado, nunca compareceu ao trabalho, que lhe renderia um salário mensal de R$ 5,5 mil.Nesta quarta-feira, em razão da morte de Ubiratan, Carla e outros 13 funcionários comissionados do gabinete do parlamentar foram exonerados do cargo. Segundo o chefe de gabinete Eduardo Anastazi, antes mesmo da medida compulsória, ele já tinha pensado em pedir o cancelamento da nomeação de Carla, uma vez que ela nunca assinou o livro de presença da Assembléia Legislativa.Anastazi informou que em razão da ausência, Carla não receberá pagamento proporcional ao período em que teria ´ocupado o cargo´. Segundo a assessoria de imprensa da 1ª Secretaria da Assembléia que cuida do setor de pessoal, cabe ao próprio deputado controlar a freqüência de seus funcionários.A exoneração dos funcionários, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo é uma praxe administrativa que ocorre em decorrência da mudança do deputado. Assume o lugar dele a deputada estadual Edir Salles (PMDB).Delegada A delegada da Polícia Federal no Pará, Renata Santos Madi, voltou a negar nesta quarta-feira qualquer envolvimento amoroso com Ubiratan. Ela disse que conhecia o coronel há seis anos por ambos pertencerem a um clube de tiro e que também conhecia pessoalmente Carla.Segundo a policial, na noite de sábado, às 18h54, ela recebeu uma mensagem de texto do celular do coronel, mas cujo conteúdo não foi revelado pelo delegado Uálame Filho, durante entrevista concedida na sede da PF em Belém. Às 19h05, Renata telefonou para o celular de Guimarães, que foi atendido por Carla. O objetivo de Renata era falar com o coronel. A advogada informou que ele estava dormindo e que iria acordá-lo. Renata falou com Guimarães e perguntou se ele havia mandado para ela a mensagem de texto, obtendo resposta negativa. O coronel achou estranho e prometeu a Renata que iria averiguar o que havia acontecido. Ele disse que retornaria a ligação mais tarde, mas não o fez. A delegada relatou ainda que cerca de duas horas depois tentou por várias vezes falar com o coronel, mas não conseguiu. O celular, desta vez, estava desligado e o telefone convencional não atendia. Por volta de 21 horas, após nova tentativa, o telefone do apartamento de Guimarães foi atendido. A voz era de Carla. Renata perguntou pelo coronel e obteve como resposta que ele não iria atender, porque naquele momento ambos estavam travando uma discussão. Em seguida, a advogada colocou o telefone perto de um aparelho de som, que tocava uma música com o volume alto. Minutos depois, Renata insistiu com nova ligação. O telefone, desta vez, dava sinal de ocupado. A delegada disse que desistiu de fazer novas ligações e que só veio a saber do crime no domingo, por intermédio de um coronel da PM de São Paulo conhecido por Pernambuco, um amigo comum dela e de Guimarães.

Agencia Estado,

14 de setembro de 2006 | 10h11

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