Filiação ao PCC também modifica dinâmica de crimes

O escritor Marcos Lopes, de 26 anos, morador do Parque Santo Antônio, na zona sul, que foi ladrão entre 1998 e 2000 antes de mudar de vida e se tornar professor e educador social (mais informações nesta página), pede para não colocar em sua boca o nome da facção criminosa que comanda os presídios em São Paulo. Mas indagado sobre os motivos para o aumento dos crimes em São Paulo, ele lembra que um número crescente de jovens precisa pagar uma "mensalidade" em respeito à "hierarquia" existente no crime. Para pagar valores fixos ao Primeiro Comando da Capital, integrantes e simpatizantes da facção acabam sendo levados a praticar um número permanente de crimes, muitas vezes com orientações passadas de dentro dos presídios. Por esse motivo os roubos estariam sendo feitos a partir de um planejamento mais acurado. A diminuição relativa do porcentual de latrocínios (roubos seguido de morte) seria um dos efeitos dos crimes estudados. Em 1999, quando os índices trimestrais de roubo eram 25% menores, os assassinatos em assaltos eram praticamente o dobro do registro atual. No primeiro trimestre de 1999, houve 173 assassinatos, índice que no primeiro semestre deste ano não chegou a ser alcançado. A diretora do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas concorda que, para compreender a dinâmica dos roubos, é preciso aumentar a compreensão sobre a dinâmica daqueles que os praticam. "Sabemos ainda muito pouco sobre a real força do PCC e compreendemos pouco o crime", diz.

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