Filósofa americana Camille Paglia rouba a cena na folia baiana

Recebida no camarote de Daniela Mercury, autora de 'Personas Sexuais' diz ter adorado o carnaval de Salvador

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2009 | 13h37

Quando a pensadora norte-americana Camille Paglia, de 61 anos, esteve pela primeira vez em Salvador (BA), para proferir uma palestra no ciclo Fronteiras do Pensamento, promovido pela Braskem, em 28 de maio, recebeu de uma assessora da cantora Daniela Mercury cinco DVDs que resumiam sua carreira musical. Duas semanas depois de voltar aos Estados Unidos, a filósofa, que entrou no circuito de grandes pensadores mundiais ao lançar o best-seller Personas Sexuais (1990) e que gosta de se definir como pós-feminista, sentenciou, em um artigo: Daniela é "a diva brasileira que Madonna queria ser."   Veja também: Polícia investiga golpes na venda de abadás em Salvador   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia Cobertura completa do Carnaval 2009   As duas começaram a se aproximar, por meio de correspondência eletrônica. Em outubro, surgiu o convite para que a pensadora conhecesse o carnaval de Salvador. Em janeiro, Camille aceitou. Na sexta-feira, enfim, as duas se conheceram pessoalmente. E a filósofa roubou a cena no camarote da cantora. Simpática, sorrindo de orelha a orelha, olhos arregalados no meio da multidão, Camille não se furtou de ficar no meio do público, roubando a atenção das dezenas de atores, músicos, empresários e políticos que lotavam o espaço. Acompanhou a passagem dos trios da sacada do espaço. Apesar disso, falou pouco: limitava-se a repetir "estou adorando" a quem perguntasse qualquer coisa. Pode estar poupando a garganta, afinal sua estadia na capital baiana está prevista para até quarta-feira.   Daniela, como era de se esperar, se disse muito feliz com a visita. "Fiquei lisonjeada, claro", reforça. "Amanhã (sábado), vou levá-la para participar do Trio Eletrônico, para ela ver também como é o carnaval na rua. Espero que ela fique confortável na 'minha casa'". Com a visita, Daniela, em conjunto com as promoters Licia Fabio e Nil Pereira, suas parceiras no camarote, volta a se destacar como grande anfitriã do carnaval baiano. Claro que seu espaço na folia tem concorrentes de peso, como o camarote Expresso 2222, de Gilberto Gil, comandado por sua mulher, Flora, que costuma reunir anualmente uma série de famosos, em especial músicos e políticos. Mas foi Daniela quem lançou o conceito de camarote de luxo na folia baiana, há 15 anos.   No local, só entram convidados - não há venda de ingressos. Anualmente, Licia e Nil recebem centenas de telefonemas de pessoas pedindo autorização para entrar. Invariavelmente, precisam recusar. "Sempre educadamente", brinca Licia. "Não há como agradar a todos, porque o espaço é restrito e há muitos convidados de patrocinadores, mas na medida do possível, tentamos agradar a todos."   Muito da fama que Daniela conseguiu construir ao longo dos últimos anos na folia baiana tem a ver com suas frequentes tentativas de inovar na folia. Além de ter sido a primeira a montar um camarote de luxo, foi ela que começou a difundir nacionalmente o Circuito Dodô (Barra-Ondina), o hoje preferido dos famosos, e foi quem instituiu a música eletrônica no circuito, há dez anos, quando lançou o Trio Eletrônico. Depois, instalou um palco sobre o trio, por onde já passaram de grupos de dança a piano de cauda.   Agora, Licia dá a dica de qual deve ser o próximo passo do grupo. "A gente precisa arranjar alguma forma de revitalizar o tradicional Circuito Osmar (Campo Grande), que tem caído muito nos últimos anos", diz. "Ele é a alma do carnaval de Salvador, tem alguns marcos da festa, como a Praça Castro Alves. Se ele não resistir, o carnaval daqui morre."

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