Fim da greve no INSS pode ser decidido amanhã

Após o governo anunciar que contratará funcionários temporários nos próximos dias para reabrir agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), representantes da categoria vão reunir-se, nesta segunda-feira à tarde, com o ministro da Previdência, Roberto Brant, em busca de acordo para acabar com a greve iniciada em 8 de agosto.Sindicalistas dizem que o fim da paralisação está por "um fio", mas o secretário-executivo do ministério, José Cecchin, afirma que o atendimento à principal reivindicação da categoria depende do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.Longe de uma solução imediata, a greve dos professores das universidades federais viverá, nesta segunda, um dia de expectativa. Os docentes vão estar com os olhos voltados para o Ministério da Educação (MEC): pela manhã vence o prazo fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o governo pague o salário de outubro, retido pelo MEC. Mas o ministério deverá recorrer, e o Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) já estuda a possibilidade de pedir à Justiça que afaste o ministro Paulo Renato Souza do cargo."A greve no INSS está por um fio, podemos chegar a um acordo em breve", disse, neste domingo, o secretário de Organização da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Seguridade Social, Vladimir Nepomuceno.Para um eventual acordo, no entanto, o governo teria de ceder na questão da gratificação salarial reivindicada pelos servidores - o que parece longe de acontecer, segundo Cecchin. "Faz pelo menos 20 dias que estamos por um fio", disse.O impasse gira em torno do pagamento de uma gratificação. O governo insiste em que 90% dela seja variável, ou seja, repassados de acordo com o desempenho dos funcionários, excluindo assim inativos.Já os sindicatos propõem que apenas 30% do valor esteja sujeito à avaliação de desempenho. Segundo Cecchin, o Ministério do Planejamento recusou até a proposta de fixar em 50% essa parte variável.Nesta segunda pela manhã, sindicalistas apresentarão uma contraproposta ao projeto de lei do governo que prevê a gratificação e está em vias de ser enviado ao Congresso. Segundo a presidente da confederação, Denise Dau, a greve poderia acabar se o Executivo demonstrasse disposição de ceder na questão da gratificação.Nos próximos dias, o Ministério da Previdência deve lançar edital para a contratação de até 1.500 servidores, segundo Cecchin. Desse total, 500 devem ser recrutados em poucos dias, e o restante, em duas semanas. O governo quer reabrir agências do INSS, onde estão parados 800 mil processos para a concessão de benefícios previdenciários.EducaçãoO MEC informou, por meio de sua assessoria de Imprensa, que a Advocacia-Geral da União deve recorrer contra a decisão do STJ que determina para esta segunda-feira o pagamento dos salários de outubro, caso isso seja legalmente possível.O presidente do Andes, Roberto Leher, acusou o ministro Paulo Renato de estar descumprindo decisão judicial. "Vamos estudar o pedido de impeachment do ministro", disse.A negociação com o governo para encerrar a greve ocorre no Congresso, na votação do Orçamento de 2002. Mas o Andes é contrário ao projeto de lei do MEC de reajustar, em vez de incorporar, gratificações ao salário.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.